"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

AMIGA

Dividiste comigo
os seus
ou os céus,
os meios
ou os seios,
o caminho
ou o vinho.
Doas-te, então
a nós,
teu juízo:
Para os pecados,
os réus,
Para os amados,
os anseios.
Para os conquistados,
o carinho.
És o que podemos,
o que vivemos,
ou aquilo que
nos tornemos.
Me abriga,
amiga.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

SOLVE ET COAGULA

O que
temos nós,
a mais e melhor,
do que
os animais?
Como tais,
assim quero
ver-te:
pelas costas!
Teu cabelo
em alça
quando minhas mãos,
são armas 
na luta,
de contê-la
na tua ânsia
de virar
a cabeça e
de olhar-me
nos olhos,
ainda que fechados,
concentrados
no impacto,
crescente, 
voluptoso,
alquímico...
Então
solvo-me em ti,
que coagula-nos
em si.
Alquimia feroz,
a sós,
em atos
que atuamos,
atoa,
na toada
dos instintos.

sábado, 7 de janeiro de 2012

HÁLITO DE DRAGÃO

Fonte da Imagem: http://blogdotony.com.br/desenhos-vetoriais-japoneses-imagens-de-vetor/#axzz1inDCU6Bo
Você que,
em fera,
és dragão que vocifera,
o que não sê:
consciência,
paciência,
altruísmo...
E ao contrário,
nas malhas do egoísmo,
estipula
e manipula
com cinismo,
o sentimento
d'um desatento,
que em ti, crê!
Espera...
Nas voltas
e revoltas,
em que segue o mundo,
no meu peito o desejo mais profundo,
está distante no momento...
Mas será justificado no tempo.


Dedicado às almas em vida dos Alvarengas e Nunes

sábado, 10 de dezembro de 2011

BRANQUINHA


Você é assim...
Uma gatinha,
Branquinha,
Sozinha...
Que por si,
Caminha.
Com dengo,
Com charme,
Sem que te chame,
Independente de quem
Te ame.
Você é assim.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

RUNAWAY MÄDCHEN


Pessoa,
como tua "Mensagem", perdeu-se na viagem?
Como o peixe envidraçado,
que outrora no desejo, nadava vivificado,
agora tornou-se objeto, obsoleto, parado?
Tão distante tu estava e me acertou!
Tão próxima tu esteve e me errou!
E desprovido, de peso e de medida,
vou, outra vez, ver que na vida,
nem tudo pode dar certo,
nem de longe, nem de perto.
Pois assim, desde então, tenho jurado: 
que nas escarpas deste todo meu coração petrificado,
tudo que é cuidadosamente plantado,
com o mesmo zelo, também é arrancado,
para n'outro tempo, refazer-se fecundado.

Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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