"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

SEBO ARILOQUE

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Encontre aqui seu livro!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

EVASIVO TRANSMISSIVO


Hieronymus Bosch - As tentações de Santo Antão

Não quero ser sucinto, direto,
Apenas jogar as idéias no espaço
Não gerar questões de embaraço
Na especulação do “SER” ou não, discreto.

Quero respostas imprecisas, instantâneas,
Que saem num solavanco rápido, impreciso...
Assim como brota no rosto, um belo sorriso,
Da graça escapada, das bobagens momentâneas.

A razão disso tudo é o instinto,
Do jogo das meras emoções inusitadas,
Que na surpresa das ações experimentadas,
Alimenta as fantasias de um faminto.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

DJAVANEAR UMA 'QUASE' CANÇÃO POR QUEM SE QUER


Para Daniela

Te tocar...
E cantar a loucura em te querer
Me compor...
E contar minha história pra você
Te falar...
De toda sede que eu tenho em viver
Me expor...
Declarar a minha fome por você
Te marcar...
Tatuar no teu corpo meus dentes e poder
Me dispor...
Mapeando os ventos que me levam a você
Te nomear...
Anjo absoluto no auge do meu clã
Te ludibriar...
Pra te sensibilizar a lá Djavan.

(Entre algum dia de 1999 e 13/04/2000)

Imagem: http://flamencobrasil.com.br/2012/04/o-djavenar-flamenco/

sábado, 13 de dezembro de 2008

DESEDIU CUM BARROCO



The First Kiss - Willian-Adolphe Bouguereau, 1873


E por todos os poderes sacro-santos do infinito,
No encontro das hóstias, em busca do êxtase,
E pelas meditações descontroladas que dão ênfase,
Aos verbos censurados na falácia do conflito...

Eis que saltam os odores, ao começo dos embates,
E as armas desesperadas, comandantes da libido,
Perfumam os opostos, com estandarte exibido,
Unificando delícia e dor, na fuga dos engates...

Nesta guerra de volúpias, os querubins se afagam,
Exalando seus perfumes, "testos" e "progestos",
Na explosão sensorial, não existem modestos,
Só o derramar dos fluidos, para as luzes que se apagam.

sábado, 22 de novembro de 2008

AMORE FILIUS, GERMANU I HUMANU DI "PRINCIPISSA DI CHOUPANA"


Gustav Klimt, Drei Lebensalter / As Três Idades da Mulher (pormenor)



Dedicado ao coração de Ana Paula Vergara


Na honestidade da tua fala distante,
Marcada por movimentos e emoções,
Estão sentimentos, não somente razões,
Que saltam vivos, a todo instante:

No filho que crias, no filho saudoso,
No consangüíneo desconhecido, encontrado,
Ou pelas almas que andam, do seu lado,
O preço que pagaste foi alto, custoso...

Mas na sinuosidade deste seu caminho,
Os olhos e o sorriso, que da menina, mantém...
Dão-lhe graça divina, que a isso provém,
Sua fé, sua força, seu amor e carinho.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

FIGURAÇÕES DA ROSA, EROS, PSIQUE, A IDÉIA E A PALAVRA



Para a doce Ana Paula Vergara

Afrodite a condenaste ao arder dos aflitos
Na fúria arquetípica, da fome feminina,
Antes tivesse visto, teu sorriso de menina,
Precipitando qualquer um dos possíveis conflitos.

Agora já é tarde, na ordem dos conscritos!
Uns tão longe amam, por perto, eu, somente...
Livro então minha garganta, da força da corrente.... E
Acomete-me contar o segredo destes Mitos:

Vejo sonhos que vagavam, em ti, encontrados,
Eros conduzindo Psique em seus braços

Razões que então se dissipam nos embaraços,

Grafando n'alma os olhos, dóceis, encantados...

Acendendo a lâmpada, tu iluminaste o condenado

Rebelando-se então, ante o rosto acobertado,
Arrancaste todas as vendas, e descobriste um admirado.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

MINHA PRECE CONFESSA (E SEM RIMAS)

El Greco - El soplón

Natureza, luz, glória, energia, vida ou paz...
Seja qual for o nome pelo qual atendes,
Meu coração se rende em palavras
Pela libertação da minh'alma, comprimida.

Não quero, caro universo, nada além de "Ser".
Nada mais me apetece do que a ideia de protagonizar.
Mas para que o ator deslumbre seus espectadores,
É necessário o amor, indispensavelmente.

Por isso, amplidão de algo que me assiste...
Toma nas profundezas deste espírito que vos fala,
O sentimento que se esconde nos abismos,
E profundezas conscientes do inconsciente.

Esculpe-me diariamente, camada por camada...
E quando der a vida ao objeto de sua formosura,
Põe-lhe no peito a paixão magnética
Que ao ferro se fixa, ferozmente.

E da-me então asas ou faz-me vento
E ao livramento me atiras, sem precipitar
Abençoando meu sonhos e coração
Libertando a emoção em poesia...

E colhe-me em infinito...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

MORRER E NASCER EM OUTUBRO


Montgomery Clift - 17/10/1920 a 23/07/1966... Além da Alma

Quando morri para um sonho,
E nasci para os demais,
Em condições tanto anormais,
Eu para a vida então, proponho:

- Pegas teus mitos e ideário banal,
e joga na imensidão do espaço!
Polpa meus dias deste embaraço,
Das condições de um "viver normal".

Recolhe minh'alma deste varal,
Estende-a então, por todos os lados,
Soltando-a aos ventos mais variados,
Deste vasto mundo que tu dizes "quintal".

Imagem: http://www.montyclift.com/

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O PREÇO DAS TUAS ASAS



O preço das tuas asas, eu sei

Está além do que a mente diz
Está acima do que o coração quis
Está distante do que imaginei.

O preço das suas asas, então

Está além do que eu possa supor

Está acima de qualquer valor

Está distante da minha visão.


O preço das tuas asas, portanto

Ofereço sem medo de pensar:
- Das minhas costas, arranca o par...
E voas por mim com seu encanto!

Imagem: http://moscascomics.blogspot.com/2007_12_01_archive.html

sábado, 30 de agosto de 2008

ANJO CARIOCA



Para Denise

D'um vôo destes pelas ondas eletrificadas,
E nas esquinas dos desejos, acumulados,
Deparados e por si mesmos observados.
E após as palavras, em setecentos dias, manifestadas...

Desceste na terra das almas aceleradas.
E longe das conseqüências e dores dos teus lados,
Dançaste com o estranho o jazz dos apaixonados,
E a ele se fundiu, em transbordagens inequivocadas.

Deste tomaste o vinho e o servis-te das suas carnes temperadas,
Embora requisitava, pelo céu fluminense dos trovejados,
Desatinada então pelos revezes dos caminhos planejados,
E voltaste a distância mestra, das vidas, pela vida, separadas.
_____________________________________________________
"Birdland on Fifty-Three
The street sounds like a symphony
We got John Coltrane and a love supreme
Miles and she's got to be an angel.
Lady Day got diamond eyes
She sees the truth behind the lies"
(Angel of Harlen - U2)

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A DANÇA DA ROSA DAS PÉTALAS INCENDIADAS



Fechaste os olhos e rosto levantaste,
Ergueste um braço, desceste o outro.
E partiste com a tua alma ao seu próprio encontro.
Ao movimentar seu ventre enquanto dançaste.


Em tuas mãos o pano tornou-se fogo,
Ao circular-te ao som das ladainhas e dos rumores
E nas melodias mágicas, das cordas e dos tambores,
Seduzes a vida, no vislumbre deste jogo.


Indescritível, tão bela, estavas a brilhar:
Inigualável rosa, vermelha e encantada,
Que o mestre Pixinguinha soube como cantar:


- Tu és, de Deus a soberana flor *... ADMIRADA!
Que pelos finitos adjetivos, não se poderia configurar,
E aos Cânticos de Salomão, reduziu a nada ... Nada ...


* Fragmento da canção Rosa, de Pixinguinha, pretenciosamente citada neste texto.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

NÔMADE IDEAL DAS PRÓPRIAS RAZÕES



Eu,

Nômade em mim mesmo,
Inquieto espírito que não me pertence,
Alma que mapeia por onde eu ando.

Acampamentos levantei nas minhas cordilheiras,
Gélidas lembranças dos desertos que trilhei,
Insuperáveis abismos em sonho, superei...

Eu, perdido nos lugares que encontrei,
Nas costas um coração pesado, oscilante,
Nos caminhos de um mero e obcecado viajante,

Nômade ideal das próprias razões.

domingo, 27 de julho de 2008

O VÔO RAZANTE DOS MORCEGOS



Ao cair das trevas, em sinais mais breves
Enquanto nas águas morria a luz solar,
Com morcegos no váculo, a mergulhar,
E as sombras cobrirem ao que não se atreves...

E os gritos refletem seu eco e sonar
Na caça dos insetos, perdidos ao vento,
Que aos milhares, formam o suculento
Banquete das tais sinistras, criaturas do ar.

(26/07/2008)

O ANJO, O ESCORPIÃO E O OESTE



Lá do espaço desce o anjo,

cavalgando sem ter hora,
no escorpião pontilhado,
que ao Oeste devora!


E ouvindo o som do banjo,

abismados com a candura,

das estrelas no parado,

os sonhadores que, de fora...


Fazem do corpo marmanjo,

criança cheia de bravura,

esquecendo o tempo passado,

contemplando viver, "agora".


(26/07/2008)
_____________________________
Nota Indispensável:

"Admirável é o visível, a luz, admiráveis para mim o céu e os astros,
Admirável a terra admiráveis o tempo e o espaço indescritíveis.
Bem mais admirável porém minh'alma invisível que abraça e enriquece todas essas coisas.
Ilumina a claridade, o céu e as estrelas, perfura a terra e voga sobre o mar."
(Walt Whitman)

quinta-feira, 24 de julho de 2008

O TEMPO É O VARAL DE ALMAS


The Persistence of memory - 1931 - Salvador Dali

Ora mas não poderia d'outra forma ser,
A constante batalha sobre o tão sábio e maldito tempo,
Com suas formulações em fragmento,
Com idéias a se inverter.

Foste passado, é presente, serás futuro?
Com o signo da eternidade, ei-lo aí, batizado!
Mas o transporte desta carga do imaginado,
Não teria além da alma, seu porto seguro.

Notas de cunho etéreo:
E pelas ruas, acima das cabeças dos homens, os varais do tempo recolhem suas almas, presas aos "relógios-pregadores" que as levam trabalhosamente ao alto, para perto do Sol. Lá secarão e, ante o sereno da noite, hidratar-se-ão e viverão nos seus respectivos sonhos.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

ADEUS ESTRANHO - ALGUMAS PALAVRAS PARA O SONHADOR ALEXANDER SUPERTRAMP (Chris McCandless)




Ora, tu foste ávida criança com olhos de luz!
Que de tanta alma, transbordava pela vida,
E ainda teu espírito pela ânsia do Norte se conduz
E encanta outros tantos, mesmo depois da tua partida. 


Mortos foram os anos em que foste embora, realmente,
Que nada ou quase nada, aos obedientes, deixaram.
Mas a tua rebeldia e redenção, corajosamente,

Reavivou os sonhos, nos corações que os apagaram.

Certo é de fato o criar-se e recriar-se, constantemente,
Nos juízos em que a vida dá sua cartada
E a todos congrega a viver convenientemente.


Mas se a sociedade atormentar, com o “sonho formatado”,
O coração haverá de lembrar, furtiva e docilmente,
Que não só pela razão, a vida pode ser guiada.
_____________________________________
“Se admitirmos que a vida humana pode ser guiada pela razão, a possibilidade de vida é destruída” (Alexander Supertramp)

quinta-feira, 22 de maio de 2008

ALMA NÃO ALCANÇADA: MAIS ALGUÉM REVÊ IMAGINAÇÕES ANTIGAS?



Eis que com corpo e alma formigantes, eu estou,
Criança sepultada por paixões não resolvidas
Que no espirito explorado das novidades escondidas,
Mais uma dança dos sentidos experimentou! 


Na busca do balão de hélio, que distante voava,
E que aproximado, esvaziou-se, perdeu o brilho, descoloriu...
Para aos olhos do menino anunciar, um grande vazio,
Ao transpor todas as regras, do jogo em que brincava.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

SE QUERES SABER D'OUTROS ENCANTOS MEUS....



Se queres saber d'outros encantos meus, então,
Toma pelas mãos os livros e fendas,
Que no tempo escreve todas as contendas,
E mostram os símbolos da imprecisão...

Na caridosa filosofia, de corpo e alma das gregas,
Ou nas curvas curiosas da moça amiga,
Que contrapõe este gosto, da beleza antiga,
E distoa da forma miscigenada das pelegas.

Nos desafios das fêmeas, articuladas e astutas,
Que com velhas artimanhas, dos embates e chantagens,
Seduzem ao homem, com tantas personagens,
Desde a dita virginal a mais sagaz das putas!

Cena do filme Eyes Wide Shut (De olhos bem fechados), de Stanley Kubrick, de 1999. Para saber mais http://www.webcine.com.br/filmessi/olhosbem.htm

domingo, 27 de abril de 2008

MIMETISA



O tempo que tens para viver é amor
A fecundar os jardins, com a língua e as pernas
Colorindo o vácuo, frente aos olhos e lanternas
Para enfim morrer, sob as pétalas da flor.



Pois no existir intenso, como se não pouco fosse,
Te metamorfoseaste do rastejo ao pairado.
Mas antes de findar teus dias de bailado
Cobre tua fome voraz, com o néctar assaz, doce.

"EU TE QUASE AMO", OUVI DIZER...



Eu vejo em ti, libélula prestes a voar
Tu me olhas então, coisa que não pode acontecer
Eu penso em ti, ideias que a vida não há de prover
Tu me lembras então, um personagem por não tocar.
Eu sinto por ti, desejo de alegria e acalanto
Tu me sentes então, num quadro de “quase amar”
Eu falo sem ti, com razões a mais por zelar
Tu me falas então, das coisas que te fazem encanto.
Eu crio pra ti, palavras em síntese do que se passou
Tu me crias então, nos riscos e cores do seu coração
Eu sonho contigo, coisas da vida e sem perfeição
Tu me sonhas então, um lapso que o tempo não reservou.

segunda-feira, 24 de março de 2008

DIGNITATE


Após as sonantes, lembranças e relatos
No momento do meu incômodo despertar
Eis que as minhas respostas, resultantes dos fatos
Em palavras saltaram a discordar:
A tua não é minha, tão pouco a minha é tua
Na qualidade de quem é ou do que se é digno
Ou nas custas da “respeitabilidade” em que atua,
Aqui está: o ar da nobreza, não é meu signo.
É feito meu, sim, a elevação dos sentimentos,
A mescla inconstante do ideal e da realidade,
Sem honrarias como dogmas ou mantimentos
Sem títulos, ou eminência de moral autoridade.
Creio no meu olhar almado da simplicidade,
Pois me bastam referências de diversas naturezas,
Para a refletir e contemplar da humanidade as belezas,
E a estridente certeza do que é ter dignidade.

quarta-feira, 5 de março de 2008

DESCONJUGAÇÃO D'ALGUNS ATOS DA FÉ


Eu Cristão
Tu, Cristão
Ele Cristão
Nós, Cristãos
Vós que tanto ordenas
Eles, Muçulmanos.

Eu Muçulmano
Tu, Muçulmano
Ele Muçulmano
Nós, Mulçulmanos
Vós que tanto gritas
Eles, Judeus.

Eu Judeu
Tu, Judeu
Ele Judeu
Nós, Judeus
Vós que tanto cobras
Eles, Pagãos.

Eu Pagão
Tu, Pagão
Ele Pagão
Nós, Pagãos
Vós que tanto resistes
Eles, Ateus.

Eu Cristão?
Tu, Muçulmano?
Ele Judeu?
Nós, Pagãos?
Vós que tanto oprimes...
Eles, desumanos?

Imagem: Gustav Dorè - Riccardo e Saladino alla battaglia di Arsuf picc

Para saber mais sobre Gustave Dorè:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gustave_Dor%C3%A9


segunda-feira, 3 de março de 2008

PARA UM AZEDO HERDEIRO DA DOÇURA DOS BÁRBAROS



Doces foram todos os Bárbaros...
Outrora filme de novos baianos.
Outrora repúdio dos xenófobos paulistanos.
Num salto voltando no tempo, quão belo foste, ó pagão!
E quanta influência tiveste, neste vasto mundo cristão!
Sunday é o Deus Sol, no calendário do Anglo-Saxão.
Monday dará muito trabalho, nos feudos da nossa razão.
Mas quem afinal são os bárbaros, nesta ou noutra ocasião?
Bárbaros talvez sejam aqueles, que não tem coisas bárbaras no coração.

Para saber mais:
Doces Bárbaros - http://pt.wikipedia.org/wiki/Doces_b%C3%A1rbaros
Migrações Bárbaras - http://pt.wikipedia.org/wiki/Invas%C3%B5es_b%C3%A1rbaras

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

O QUE TERÁ ACONTECIDO COM HARRY HALLER?


Suponho que Harry* submeteu-se a justiça dos homens. Seu corpo foi julgado e condenado. Mas a sua luta contra os próprios padrões, microcosmo da vida de todos no século que o antecedia foi vitoriosa. O Jazz foi o transporte a uma nova visão de mundo. O improviso no século de Einsten onde "tudo é relativo", passa a conduzir a alma dos que se rendem a essa transformação. Seu corpo está encarcerado e jaz num pequeno quadrado de alvenaria. Sua mente desliza pelos corredores e assentos do teatro. A cortina de veludo está envelhecida e os amáveis fantasmas das belas damas da noite, cantam ao som do sopro flutuante e bemolizado do sax. Está superada a estrutura bela e rígida da dança das notas clássicas. Cabe agora o balanço e a incerteza das notas inventivas, misturadas, sem destino. Paulo, doce maldito anfitrião abre as cortinas para os demais prazeres e anos loucos. Harry está mais vivo do que nunca.

*Harry Haller, personagem do romance "O Lobo da Estepe" (Dear Steppenwolf), do escritor alemão Hermman Hesse, publicado em 1927.

Imagem: Obra da artista plástica e fotografa sueca Hanna Eliasson disponível em http://www.lupomanaro.com

sábado, 16 de fevereiro de 2008

BEMOL PARA A DIÁSPORA DAS ALMAS



Cinco séculos de diáspora, não somente transportou,
Os filhos da velha África, escravizados e comercializados,
Para servir de braço forte, ao capital dos “civilizados”,
Construindo com trabalho, a riqueza que não desfrutou.

E se ainda não bastasse ao povo africano espalhar,
Sua terra dividiu entre a Europa dos Impérios
E a vida destes nativos, submetida aos impropérios
De novamente ser escravo em seu próprio habitar.

Mas não somente este fardo histórico ao mundo apresentou
Destes povos segregados, não pode ser esquecido
Que marcaram sua atuação, como povo destemido,
E pela transformação das culturas dos lugares em que chegou.

Haja visto na América do Norte, da dança e lamento blue,
Que tomaram as plantações com alma e a voz,
Enquanto a festa em batucada, nos terreiros das avós,
Disfarçada em rituais sincréticos, na América do Sul.



Imagem: capa do excepcional álbum de Jazz From The Plantation To The Penitentiary [2007], de Wynton Marsalis.

FILHOS DA AMÉRICA - ÚLTIMOS MOMENTOS DE UM CONDENADO A VIDA



I
América da pátria, da força e da democracia,
Os teus filhos crescem, com o leite do teu seio
Instrumento pedagógico, que em termos, não tem meio
Quanto aos resultados de sua idiossincrasia.

II
E nesta sede torrencial por uma “ordem de nação”,
Dirigida por protestantes capitalistas e católicos molestadores,
Houve a gestação dos teus filhos, responsáveis por horrores,
Cometidos entre as artérias do seu próprio coração:

III
Noticiário: - Nesta tarde de inverno, um jovem universitário,
No saguão da instituição onde estudava,
Com uma pistola em cada mão, aos tiros se vingava,
Das vozes que diziam: “tu és louco, imbecil, otário!” 

IV
E vinte corpos após sua máxima empreitada,
Com um disparo final pôs fim ao seu plano,
E outra vez, o mundo assistiu sem engano,
A mais uma chacina "absurda, inexplicada".

V
Mas por que então caro hipócrita e alienado americano,
Não tira os olhos do noticiário que com sangue te seduziu,
Vá e pensa na sociedade que a este "assassino" produziu,
E não apenas chora os mortos do “criminoso desumano”.

VI
Veja tuas leis de uso de armas, viáveis desde o nascer,
Reflete a tua opressão moral, autoritária e viril,
Chora também os mortos, das nações que invadiu,
E lá conforta os órfãos e viúvas, que ainda estão a padecer.

Foto em negativo do jovem sul-coreano Cho Seung-hi, que vivia nos EUA desde 1992. Suas fotos foram exibidas como "troféu" por uma rede de TV americana, após ter cometido o massacre no Instituto Politécnico da Virgínia, em 2007.
Dica de filme:
Assassinos por Natureza (Natural Born Killer), 1994, de Oliver Stone http://www.jornalismo.ufsc.br/jornalismoemcartaz/assassinos%20por%20natureza.htm

 

sábado, 9 de fevereiro de 2008

ÉTICA PREPOTENTE E O ESPÍRITO DO CONFORMISMO



Desde as ordens das tábuas de Moisés,
Aos cravos nos punhos do salvador,
Atribui-se aos planos do criador,
Conquistar toda a terra, debaixo dos pés.

Mas no afã da pilhagem, da prata e do ouro,
E na conversão de pobres nativos sem alma,
É que a estratégia se impôs, pela calma,
Da execução do índio, do negro, do mouro...

E no colo dos príncipes, o protesto se deitou,
Para a "Santa Madre", negar toda autoridade,
E esta em reação, ao zelo da santidade,
A companhia de Jesus, prontamente, convocou.

Mas nas terras anglo-saxãs estourou,
As guerras das práticas cristãs, "opostas"
E na loteria das cruzes, não cabia apostas,
E a fuga para o Norte da América, chegou.

Nestas terras porém, a ética se casou
Com a fé para o trabalho, as posses e conquistas
Construíram todas as bases imperialistas,
Do pentecostal reino que se instaurou.

Para saber mais: http://imprimis.arteblog.com.br/3660/A-ETICA-PROTESTANTE-E-O-ESPIRITO-DO-CAPITALISMO-de-MAX-WEBER/

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

PEQUENA CANÇÃO DOS ESPELHOS



Na profundeza destes olhos teus,
E na imensidão deste seu coração,
Palavras eu busco e rebusco em vão...
Pois ainda não foi criado por Deus,

Um adjetivo ilustre a tão bela claridade,
Nem mesmo um termo exato e glorioso.
Mas como para a arte, basta o olhar curioso,
Resta-me então aguçar-te a vaidade:

Tens as mais belas janelas d’alma que conheço!
Que não se comparam a quaisquer relatos de verdade,
Sobre o brilho de tesouros e amores de começo.

Dedicado aos olhos de Fátima Kadri

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

CHIMAERA



Sei que existes, mas não conheço tua face,
E mesmo que em Chimaera*, tenha colonizado teu corpo,
Não houve ritual qualquer que aproximasse,
Razão alguma a este ser tolo e absorto.

Tens, sei bem eu, um desafiador esconderijo,
De artimanhas, elaborações e complexo enigma,
Na construção romântica que não mais me exijo,
Na insatisfação que me imputa tal estigma.

E nos conflitos entre Apollo e Dionísio, sou ferido!
Na trincheira em que desmancho os dias, as horas.
Onde o encanto da Vênus esta sendo perdido,
Na petrificação das cicatrizes que corroboras.

* Quimera, em latim. A palavra pode significar "fantasia, utopia, ilusão, sonho ou absurdo". É simbolicamente representada por um monstro fabuloso com cabeça de leão, corpo de cabra e calda de dragão.

(04/02/2008)

SONHO PARA 2014



Marlon acorda cedo. Sem mesmo lavar o rosto, calça as chuteiras de marca famosa que ganhou como melhor jogador num amistoso do time em que atua, promovido pela Secretaria de Esportes da sua Cidade. Antes de sair de casa para o treino, procura por pão e leite para saciar sua fome. Não encontra. Toma um copo d’água e sai, após certificar-se de que seu irmão Mario, de sete anos, está acordado e cuidará do outro irmão, Marcio, de nove meses. Está feliz por saber que no dia anterior o Brasil foi escolhido para sediar a Copa de 2014. O sonho brilhou mais do que nunca em seu coração e sua mente. Aos onze anos e com o mesmo ideal de milhares (ou milhões) de garotos pelo Brasil, deseja ser jogador de futebol profissional, titular do Corinthians (por quem é apaixonado) e da Seleção Brasileira. Com aplicação e empenho, acredita que aos dezoito anos, poderá fazer parte do grupo que disputará o Mundial daquele ano (afinal, como sabe, Pelé, negro como ele, jogou uma Copa com dezessete anos!). Sua mãe (empregada doméstica) apóia que siga a carreira de jogador de futebol, permitindo que falte de duas a três vezes por semana na escola, para participar dos treinos do time. Deseja que ganhe muito dinheiro e ajude a melhorar as condições em que vivem. Moram em um barraco de madeira construída em área de risco à margem de um córrego, onde uma televisão (em sua casa tem uma!) e um sofá (em sua casa não tem um!), jogados em seu leito, obstruem o fluxo de água. Na última chuva forte, enquanto sua mãe e vizinhos lutavam para salvar móveis, roupas e poucos eletrodomésticos, além de tentar escoar a água de dentro de casa, Marlon chutava a bola num muro, a alguns metros dali, sem preocupar-se em ajudar. Gritava nome de jogadores, associando-os a dribles e provocações de torcida. A cada toque na bola, cerrava os punhos e a energia ali concentrada, irradiava certo ódio à sua condição de vida e esperança em acontecer de fato como astro da bola. Qualquer semelhança com a realidade é mera certificação de que a verdade pode doer muito, até quando se trata de um sonho.
Postado originalmente em http://clubedacronica.blogspot.com em 19/12/2007.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

CHUVA EM EXPRESSO


Um cara qualquer, numa casa qualquer, numa vida qualquer, acordou. O som da chuva se ouvia quando ela batia nos telhados das casas vizinhas e escorria pelas calhas. Logo sentiu um cheiro familiar, que evaporava de algum lugar. Foi para a cozinha e não encontrou a postos, nem o coador, nem o bule, nem a água fervendo. O cheiro ficava cada vez mais forte. Num surto imediato pegou a chave e abriu rapidamente a porta, projetando-se para  fora de casa, chegando no  meio da rua. Envolvido pelo calor das gotas que caiam do céu molhando seu corpo, abria a boca e deixava com que o gosto sublime, tomasse sua alma, descendo por sua garganta. Chovia café. (29/01/2008)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

VISCERALIDADE



Agora tudo me sai num arrebento,
Uma explosão de descontento,
A um passo de estar sedento...
Para no sacrifício poder transpor,
A asfixia do torpor,
Na fragilidade a se expor.
Em breves minutos, desfalecer,
Noutros mais breves, reviver,
Numa fração de segundos, responder:
Será tão amarga a sensação de existir,
Na confusão irreal que é sentir,
Saudade ou algo       sem definir?

Imagem: Dostoiévski - 1872
(23/01/2008)

domingo, 20 de janeiro de 2008

ATENÇÃO FLUTUANTE




Para Ana Paula

Entardece lentamente e descansa o Sol.
Enegrece a Lua num piscar eclipsado.
E no descortinamento da musa clara do espaço,
Desce o belo e vivo lençol alvo,
Cobrindo as ruas, janelas e corpos,
Que no seu sentido vital de existir,
Desdobram-se e encaixam-se...
Em movimentos, falas e adormecimentos.

(05/03/2007)

SONHO SOMBRIO DO JOVEM ANSIOSO



Dia quente de inverno...
Em um sonho decadente!
Descobri que no inferno,
O teu signo é a serpente.

Noite louca, exuberante!
Eu num sonho tão estranho...
Saboreava do teu sangue,
Com um prazer sem tamanho.

(Miguel Ariloque - 1995)

SE TU SEGURAS, SE TU DEFINHAS




Se tu seguras, se tu definhas...
Definhas para prender,
Seguras para definhar.

Se tu definhas, se tu seguras...
Seguras para prender,
Definhas para segurar.

Ora, mas que fazes então,
Se seguras e definhas irremediavelmente,
Na proposição de tanto querer?

Deixas livre o coração,
Que pelos dedos escorre suavemente,
Neste desespero de sobreviver?

Apenas então abra tuas mãos,
Não pense, não sonhes, simplesmente,
Seguras e definhas sem perceber!

(20/01/2008)

CANTO EM DOIS HAIKAIS* PARA O SILÊNCIO DO UIRAPURU




HAIKAI I

Eis que o silêncio acontece,
Se o Uirapuru entristece,
E seu canto, emudece.

HAIKAI II

Mas na floresta, seja o que for,
A saudade converte a dor,
Pela verdade do que é amor.

(20/01/2008)


*Haikai: poema curto, pelo seu formato de três versos de 5 , 7 e 5 sílabas, cuja origem é japonesa, entre os anos de VIII e XIII. Caracteriza-se pela sua pureza, não necessitando de passeios intelectuais em sua estrutura e pelo uso de temas da natureza como símbolo dos sentimentos e pensamentos dos homens. Dá a liberdade do leitor de fazer parte da sua composição, deixando-o criar ao refletir e sentir, quando lê. Qualquer pretensão “ocidental” (como esta) pode incorrer no uso de costumes lingüísticos que necessitam “explicar” demais o texto, ou “rimar” as frases. O que vale é a expressão.


Recomendação de LIVRO: Haikais de Bashô, de Olga Salvary (Tradução); São Paulo, Hucitec, 1989.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

AI DOS VENCIDOS!



Boemia que esbofeteia o meu rosto, sobre a cama
E ao meu pensamento, invade com a sua orgia,
Sustentando então o “eu fálico”, que já não me obedecia!
Causando a minha queda, dentre as pernas de uma dama...

Vaginal conhecimento, que discordo (e com razão!)
Fecha-te o monstro ímpio, que discórdia trás para mim!
Não mostra tua careta, mas com ela faça sim,
As alegrias de um pobre virginal de outra paixão.

(Miguel Ariloque - 2001)

O CAMINHANTE BINÁRIO NO LABIRINTO PROFANO E TECNOLÓGICO DA HISTÓRIA


I

Cresça voraz e faminta a ficção
De uma futura pátria una e tecnológica,
Madre de uma questão órfã e pouco lógica:
Vens salvar ou selar destruição?

II

Noutros tempos "imperfeitos", navegavam os navios
Conduzindo almas e corpos, pelo mar da descoberta
Ora vejo agora a mente, conduzida pelos fios,
Trafegando pelos bytes d’uma caixa que me desperta.

(Miguel Ariloque - Novembro/1997)

PERDIÇÕES



Dentro do túnel iluminado e quebradiço,
Decido em angústia para a vida me entregar...
Aos olhos dos outros, não tenho compromisso,
Se aos prazeres da dor pretendo desfrutar!

Invadido de ansiedade, meu peito aperta e explode!
Aos tristes sentidos, agora eu vou falar:
- Entender-se no espelho, ninguém mais pode...
E nas águas insanas eu quero navegar!

(Miguel Ariloque - Novembro/1997)

CARTA AO MISERÁVEL



Miserável e errante, é mais um ser neste mundo, perdido...
Perambulando feito alma penada, neste umbral corpo fedido,
Com as vestes em trapo imundo, e rosto-reflexo desnutrido.

Busca sua alegria, na chaga aberta, apodrecida,
Causa horror ao hipócrita, que com o carma elucida,
Esta tua condição de criatura esquecida.

Justifica sua vida, em nome da liberdade!
Despertando olhos piedosos, embebidos em mediocridade,
Doando seu sangue triste às sarjetas da cidade.

(Miguel Ariloque - 2001)

CRÔNICA PARA DOIS E A NOITE QUENTE




Na disposição dos corpos ao chão, jogados
Cobertos do cansaço de um trabalho afoito
Com goles de chá e repetições de coito
Estão personagens, ensaiando seus atos.

Deitam-se como amantes, desejosos, entorpecidos!
Conversam como amigos, sobre histórias e linguagens,
E despedem-se como estranhos, carregando as imagens,
Das fantasias e fatos, deveras, vivenciados.

(06/02/2007)

COMPÊNDIO DAS ESPADAS



Para o  amigo Fabio

Adeus por hora e por claros motivos.
Abraça as idéias e o compêndio.
Não te esquece das batalhas e do incêndio,
Que em duelo ateamos, desprovidos,

Das verdades, hierarquias e dos padrões,
Que regem o mundo e as mentes,
Mas não impedem o germinar das sementes,
De resistência das nossas humildes frações.

(20/12/2006)

ÉS MULHER



Parcela maior que a nós faz homens
Medida inexata de valor certo
Veneno ao longe e antídoto por perto
Juíza de serviçais, velhos ou jovens.

Voz dos cantares de todas as paixões
Fruto aos olhos do original pecado
Que desde a Gênese prescreve um legado:
És MULHER!... Emaranhada de imperfeições.

Tantos universos, num só gênero acumulado,
Por artimanhas inventadas, a cada dia, a cada hora...
Constituindo as fantasias, deste ser admirado,

Que por ti se confunde, engana, chora,
Exagera, luta, e mesmo cismado,
Entrega-se e, invadido, ama-a... agora!

(08/03/2007)

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

SORTILÉGIO


















Ora o quanto prefiro a ira em doença
Frente ao vazio do nada incompreensível
A tortura lenta e inadmissível
A condenação suprema da não-presença.

A sentença em lâmina fria e crua
Que a pele rasga e a carne adentra
Punição sagaz, forte e lenta
Do silêncio imposto a alma nua.

(23/10/2005)

Referência da Figura: La tortura en Chile http://valparaiso.indymedia.org/news/2004/12/1200.php

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

TRÊS LAMENTOS DE UM SÁTIRO COMBATENTE

LAMENTO PRIMEIRO




Ágape eu ando para longe de ti.
Eros, não quero mais te encontrar!
Fileo me sustentas sem eu pedir,
por isso a ti, vou me devotar...

Ágape me engano, sobre sua procedência.
Eros me engana pelo afã de acertar!
Fileo, és plena minha consciência,
que nos teus braços eu posso descansar...


LAMENTO SEGUNDO



Venha metafísica me abraçar...
Oferecendo eternidade pela transcendência,
Resgatando-me da lenta decadência,
Apontando às portas que devo cobiçar.

Venham ídolos, ideais, idéias...
Cartas régias do além mundo!
Que na mente confusa se esconde no fundo,
Da doce imensidão celular das colméias.

LAMENTO TERCEIRO






Ora, pois não me atire os teus medos!
Nem mesmo os grilhões da tua consciência,
Atados ferrenhamente na inconsistência,
Das palavras tolas, escorrendo pelos dedos...

Não reinvente a si mesma, por hora,
Apenas contemple o meu ser dissolvido,
Pelo veneno arguto do mal-resolvido,
Pela sádica e cruel morte do agora.

(27/10/2005)

DISFUNÇÃO EXISTENCIAL

SER-EM-SI
Vejo outrora este “Eu” embrutecido
Nos autos da força geradora da minh’alma
Que com mão destra conduzia-me pela palma
E com coragem gritava, destemido:

Eis me aqui, matéria prima concebida
Pela idéia da eterna revolução
Da promessa de uma vida enriquecida
Do contrato que assinei em ilusão.

SER-POR-SI
Por hora descola-te do “Eu” bruto
E trafega pelo inconsciente coletivo
Elabora um plano drástico, astuto
E suja de sangue esse sonho paliativo

Derruba cada um dos muros da Bastilha
Pulveriza toda essa distorção materialista
Cria sem espírito, a tua própria filha
Para desintegrar o trono do pai imperialista.

(14/09/2006)
Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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