"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

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domingo, 20 de janeiro de 2008

CANTO EM DOIS HAIKAIS* PARA O SILÊNCIO DO UIRAPURU




HAIKAI I

Eis que o silêncio acontece,
Se o Uirapuru entristece,
E seu canto, emudece.

HAIKAI II

Mas na floresta, seja o que for,
A saudade converte a dor,
Pela verdade do que é amor.

(20/01/2008)


*Haikai: poema curto, pelo seu formato de três versos de 5 , 7 e 5 sílabas, cuja origem é japonesa, entre os anos de VIII e XIII. Caracteriza-se pela sua pureza, não necessitando de passeios intelectuais em sua estrutura e pelo uso de temas da natureza como símbolo dos sentimentos e pensamentos dos homens. Dá a liberdade do leitor de fazer parte da sua composição, deixando-o criar ao refletir e sentir, quando lê. Qualquer pretensão “ocidental” (como esta) pode incorrer no uso de costumes lingüísticos que necessitam “explicar” demais o texto, ou “rimar” as frases. O que vale é a expressão.


Recomendação de LIVRO: Haikais de Bashô, de Olga Salvary (Tradução); São Paulo, Hucitec, 1989.

Um comentário:

Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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