"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

CHIMAERA



Sei que existes, mas não conheço tua face,
E mesmo que em Chimaera*, tenha colonizado teu corpo,
Não houve ritual qualquer que aproximasse,
Razão alguma a este ser tolo e absorto.

Tens, sei bem eu, um desafiador esconderijo,
De artimanhas, elaborações e complexo enigma,
Na construção romântica que não mais me exijo,
Na insatisfação que me imputa tal estigma.

E nos conflitos entre Apollo e Dionísio, sou ferido!
Na trincheira em que desmancho os dias, as horas.
Onde o encanto da Vênus esta sendo perdido,
Na petrificação das cicatrizes que corroboras.

* Quimera, em latim. A palavra pode significar "fantasia, utopia, ilusão, sonho ou absurdo". É simbolicamente representada por um monstro fabuloso com cabeça de leão, corpo de cabra e calda de dragão.

(04/02/2008)

4 comentários:

  1. É verdade... Chega um ponto que as coisas não cizatrizam, elas petreficam. Mas o rosto, em algum momento, aparecerá.
    Bjos!
    CRIS

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  2. Dei por mim a absorver cada palavra sôfregamente...da entrega de uma alma.
    Gostei,embora o texto não seja fácil, não seja alegre e muito menos insensato. Gostei pela sinceridade, pela exatidão das palavras. Pelo respirar de cada frase que imprimes ao ritmo do próprio texto. E neste compasso interminável...espero por ti outra vez.

    Beijo meu

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  3. Essa poesia me tocou muito. Quero lê-las repetidamente, como que para as possibilidades não escaparem da minha mente... o que fazer para transpor desejo à realidade?

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  4. Amigo,

    Vim visitar seu espaço e gostei muito de tudo por aqui. Parabéns sempre. Fique bem!

    Bjus poéticos.

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Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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