"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

SEBO ARILOQUE

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domingo, 27 de abril de 2008

MIMETISA



O tempo que tens para viver é amor
A fecundar os jardins, com a língua e as pernas
Colorindo o vácuo, frente aos olhos e lanternas
Para enfim morrer, sob as pétalas da flor.



Pois no existir intenso, como se não pouco fosse,
Te metamorfoseaste do rastejo ao pairado.
Mas antes de findar teus dias de bailado
Cobre tua fome voraz, com o néctar assaz, doce.

"EU TE QUASE AMO", OUVI DIZER...



Eu vejo em ti, libélula prestes a voar
Tu me olhas então, coisa que não pode acontecer
Eu penso em ti, ideias que a vida não há de prover
Tu me lembras então, um personagem por não tocar.
Eu sinto por ti, desejo de alegria e acalanto
Tu me sentes então, num quadro de “quase amar”
Eu falo sem ti, com razões a mais por zelar
Tu me falas então, das coisas que te fazem encanto.
Eu crio pra ti, palavras em síntese do que se passou
Tu me crias então, nos riscos e cores do seu coração
Eu sonho contigo, coisas da vida e sem perfeição
Tu me sonhas então, um lapso que o tempo não reservou.
Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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