"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

MINHA PRECE CONFESSA (E SEM RIMAS)

El Greco - El soplón

Natureza, luz, glória, energia, vida ou paz...
Seja qual for o nome pelo qual atendes,
Meu coração se rende em palavras
Pela libertação da minh'alma, comprimida.

Não quero, caro universo, nada além de "Ser".
Nada mais me apetece do que a ideia de protagonizar.
Mas para que o ator deslumbre seus espectadores,
É necessário o amor, indispensavelmente.

Por isso, amplidão de algo que me assiste...
Toma nas profundezas deste espírito que vos fala,
O sentimento que se esconde nos abismos,
E profundezas conscientes do inconsciente.

Esculpe-me diariamente, camada por camada...
E quando der a vida ao objeto de sua formosura,
Põe-lhe no peito a paixão magnética
Que ao ferro se fixa, ferozmente.

E da-me então asas ou faz-me vento
E ao livramento me atiras, sem precipitar
Abençoando meu sonhos e coração
Libertando a emoção em poesia...

E colhe-me em infinito...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

MORRER E NASCER EM OUTUBRO


Montgomery Clift - 17/10/1920 a 23/07/1966... Além da Alma

Quando morri para um sonho,
E nasci para os demais,
Em condições tanto anormais,
Eu para a vida então, proponho:

- Pegas teus mitos e ideário banal,
e joga na imensidão do espaço!
Polpa meus dias deste embaraço,
Das condições de um "viver normal".

Recolhe minh'alma deste varal,
Estende-a então, por todos os lados,
Soltando-a aos ventos mais variados,
Deste vasto mundo que tu dizes "quintal".

Imagem: http://www.montyclift.com/

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O PREÇO DAS TUAS ASAS



O preço das tuas asas, eu sei

Está além do que a mente diz
Está acima do que o coração quis
Está distante do que imaginei.

O preço das suas asas, então

Está além do que eu possa supor

Está acima de qualquer valor

Está distante da minha visão.


O preço das tuas asas, portanto

Ofereço sem medo de pensar:
- Das minhas costas, arranca o par...
E voas por mim com seu encanto!

Imagem: http://moscascomics.blogspot.com/2007_12_01_archive.html
Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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