"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

SEBO ARILOQUE

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sábado, 26 de dezembro de 2009

O VERBO, A CARNE E A LIBERDADE - AO AMIGO STEVE


Steve: verbo, carne e, acima de tudo, livre!

"Eis que o verbo se fez carne e a carne se diividiu em dois. As leis criaram paredes e sem si, os corpos limitaram-se. Na busca alimentada pela rebeldia , que na explosão do desejo, faz a carne sucumbir ao verbo da vontade.  Estive pensando. Liberdade é o auge. Estive livre, procurando liberdade. Vejo livre".

Dedicado ao querido amigo Steve Alcântara em 02/11/1997.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A FORJA DAS MONTANHAS



A
Dor
Cresce,
Passa...
Tempo.
Curto,
Mas
Assim,
Ando
Vivendo.
Sinto
Esperar
Silênciosamente
Absolutamente
Ausente
Em
Fé.
Refém
Sem
Razão.

LEMBRANÇAS DO VENDAVAL


 Penso, o coração se engana,
estremece.
Sinto, o coração se inflama,
enaltece.
Matéria alguma o toca!
O prazer,
a reflexão,
a tranquilidade,
a euforia,
a lembrança,
o amor,
a dor:
fragmentos infindáveis do que me permite o som.
De clarificar
as coisas da minh'alma,
quero o dom!
Mostrar-te-nos o que sou
ou posso.
Viver-te-nos.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

ENGRENAGENS ORGÂNICAS

Gustave Klint - In Sea Serpents IV

De
quatro
Motivos
Ao menos
Que justifiquem,
Onde abunda e/o movimento
Impactante, retilíneo, biforme
Não arrebatam o
Concupiscente
Delirante e
Sedento
Eu?

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A NEGAÇÃO AO SÁTIRO

Caso não saibas, sinto dizer-te, é tarde.
Tua jovialidade, de ti, escorreu...
E para desavisados, assim como eu,
O desejo composto em chamas, me arde!

Tens, eu sei, as fobias da tenra idade.
Também à supremacia, que nada escondeu,
Da doce beleza, que nunca se perdeu,
Nos exageros da tua ingênua amabilidade.

domingo, 22 de novembro de 2009

PSICOGRAFIA DOS VIVOS SENTIMENTOS: TU VENS, TU VAIS



Máscara do Carnaval de Veneza
Parece-me que as coisas de ti me foram avassaladoras como a fúria das águas que a tudo permeia e não encontra obstáculos. Recuso-me a admitir que toda e qualquer dor seja maior do que aquilo que o coração vê. Inquisições da própria falta de fé, é o que muitas vezes me impus.
Sapiente de todas as noções que somente o equilíbrio pode trazer, vendei meus olhos e fui: permiti que meus passos escolhessem, sem medo.  Certeza de que a empatia afável e os delírios se dariam as asas para voar. Inquietude diária eu vivi, no anseio dos fatos e pensamentos. Livre do passado, contemplando o presente e prevendo o futuro.  Alguns conceitos e matérias, ainda que menores à vontade, podem ser determinantes entre as almas que se reencontram: e mais uma vez pregou-se uma peça sem a presença dos comediantes.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

NASCER, O GRITO, A DOR


Criança geopolítica observando o nascimento do home-novo - Salvador Dalí - 1943



Eu que tanto desejei nascer de novo,


Eis-me aqui, preso, insolúvel...


Escravo dos meus ideais, volúvel,


Voltando às origens, ao ovo.




Restam-me a alma, a mente, o sonho,


As agonias da incerteza dos caminhos,


A limpeza das chagas, após os espinhos,


O lamber das feridas, que me torna estranho.



Por que tanto desejei, nascer outra vez?


Se uma jornada apenas, doeu sufuciente,


Se grito algum foi além de estridente,


Um alerta de quem, buscando, se desfez?


terça-feira, 6 de outubro de 2009

DA INFÂNCIA AO TERCEIRO DIA QUE ANTECEDE MEUS 35 ANOS


John Lennon: um dia após ter morrido, ele nasceu para mim, pelas ondas do rádio.


Costuro meu infinito, hoje, da infância ao terceiro dia que antecede aos meus 35 anos.

Tenho memórias infindáveis da minha adorável infância. Muitas vezes, meus dias de menino foram absolutamente vividos com o gosto dos lugares diferentes , não marcada por brinquedos ou coisas do gênero.  Eu viajava constantemente com meu pai, irmão, tios e primos, para pescarias e até eventos de caça (o que hoje, adulto, jamais faria: caçar). Quando não estava a beira de algum rio, represa ou lagoa, estava embrenhado em pequenas cabanas de galhos e folhas de árvore, vivenciando as emoções do contato com coisas da natureza que só via na tv.

Lembro-me inventivo, constantemente fuçando nas ferramentas do meu pai. Minha mãe sempre dizia que acabaria me machucando. Eu tinha a idéia de que se um dedo, a mão ou o braço todo fossem cortados, nasceriam outros no lugar, assim como observava acontecer com as lagartixas quando perdiam suas caldas.

Tive um amigo imaginário que era um Tubarão-Martelo. De onde nasceu? De uma enciclopédia chamada "Os Bichos" que meu pai montou com os fascículos que eram vendidos na banca de jornal que tinha na Estação Júlio Prestes, enfrente ao prédio do DOPS, bairro da Luz, em São Paulo. Todos os dias eu chegava da escola e mergulhava no oceano que era o quintal da minha casa, que tinha todo o chão, pintado de verde. Lá, eu nadava com o meu amigo, interpretado por uma vassoura de pelos. Vivíamos as aventuras, inspiradas no desenho do Pinóquio, não o da Disney, mas o de ma série que passava na tv.

Eu quis ser padre (Passaros Feridos - escapei!), bombeiro, piloto de helicóptero, astronauta, ator de tv/cinema (ganhar o Oscar!) e jogador de futebol (período este que já marcava o "adeus à inocência"). Coisas que toda criança normal gostaria de ser. Mas acima de tudo, queria ser Jacques Custeau, cuja profissão eu não sabia definir: aquilo para mim era um sonho. Até que assisti ao seriado Cosmos, do Carl Sagan: aquilo para mim era realidade.

Certo dia eu brincava com os bonecos de plástico da cavalaria do General Custler (parece incrível, mas é verdade!), no tapete da sala. Eram 14 horas, e o programa de rádio que minha mãe ouvia religiosamente, entrou no ar, sem música de fundo. O radialista, em tom de profundo pesar anuncia pelas ondas do rádio (acoplado em um enorme móvel de madeira, que ainda tinha uma vitrola a tira-colo - quebrada!): John Lennon, que havia recentemente completado 40 anos no dia 09 de outubro (o dia do meu aniversário!) foi assassinado por um fã, no dia 08 de dezembro de 1980. Começam então, as notas de Imagine. Fiquei paralisado. Difícil de entender isso, para uma criança de seis anos. Como um "fã" mata um ídolo? Eu que tanto queria ser o Jerry Lewis, o Elvis Presley, o Chacrinha. Desde então, somente uma personalidade ocupou minha mente: eu queria ser Lennon. Saber o que fez, o que viveu, quem amou, por que morreu. Li e ouvi tudo que encontrei. Confesso que inúmeros dos interesses que tenho hoje, se dão por conta disso. Sou Adriano. Obrigado John!

domingo, 20 de setembro de 2009

NADA CONTRA A CORRENTEZA



Memória,
venerável,
mensurável,
e sofrível!

História,
palatável,
sustentável,
do impossível

Glória,
desejável,
indispensável,
inadmissível!

Nas distintas
fantasias
e famintas
manias...

Nada, pouco, nada,
pouco, nada, pouco,

Chega, nunca, chega
Nunca, chega, nunca.

Nada, nunca, nada
Chega, pouco, chega.

CORRENTEZA



O tempo vai passando, a gama de relações se afunila. A cada dia que passa, fica a impressão de que as ações precisam deixar de se embasar em politicagens e se ater a autonomia. É nadar contra uma correnteza violenta, sem dúvida. Mas acredito que na proposta da busca de uma vida alimentada pela novidade dos lugares, das pessoas, das vivências, é possível minimizar toda e qualquer angústia. A vida deve seguir.

domingo, 30 de agosto de 2009

PARA UM JOVEM POETA


Rainer Maria Rilke

Ao poeta Renan Andrade Holanda

Subvertem
as formas.
Palavras,
arrebentações,
mortandade sutil
das regras.
Recordações
d'um trovador,
no homicídio
pleno
da normalidade.
Rapsódias urbanas,
memória,
coletivos.
Pescando
etéreos
temperos
verbais...
Transfiguração
curvilínea de sinais:
alma altiva,
formativa,
viva.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

DEFINITIVAMENTE MORTA



De fato, tu falta, nas confusões da minh’alma,

Desmancha no ar, toda minha calma.

Nas alusões repetitivas da tua ausência,


Mas nas pradarias da razão, creio eu, prevalece,

Aquele que agora, encontrando-se, te esquece,

Sepultando a moribunda paixão, na essência:


Lembranças se esvaem e a vida caminha.

E nada mais justo, a mim mesmo, conforta,

Que nas entrelinhas do abismo, se lançaste, sozinha.

E estás agora, definitivamente morta.


Imagem: Gustave Klint



sábado, 13 de junho de 2009

RITUAL DE PASSAGEM



Que todas as coisas antigas,
que ocupam o escondido,
queimem no fogo!

E que o vento sopre as cinzas,
para longe.

E as portas e janelas abrir-se-ão
para o que é novo!

sábado, 23 de maio de 2009

IDEAL ESVOAÇANTE, AROMA CONFORTANTE, SENTIDO OU DESCONSTRUÇÃO?

Palavras simples perpassam minha mente.

E a lembrança da voz que desprendeu-se na noite,

Lentamente, Saudando-me após tempos,

Me leva a pensar no ideal esvoaçante,

Refletido em acumulo de palavras

Num coração emudecido.

Na ânsia de um aroma confortante,

Fecho os olhos e adormeço.

Em algum lugar um grito rompe o espaço,

e ecoando em distorção,

Aguarda a sabedoria para recompor-se em satisfação.

17/01/2008


sexta-feira, 15 de maio de 2009

A FLOR E O DRAGÃO



Em ti,
Jardim
Planto
Semente.
Mata-me
A Fome
De Grão
Em Grão:

Dá-me a flor, desperta-me o dragão!
Dou-te o fogo, acordar-te o prazer,
Aqueço-te a pele, dá-me o poder,
Ascende-me aos olhos, toma-me então...

Dispa-se das pétalas, cobre-me em cor,
Olhar-te faminto, provar-me sem medo,
Falar-te verdades, mentir-se em segredo,
Cuidar-me em ideia, explorar-te o amor.

sexta-feira, 20 de março de 2009

NÊGA


Rugendas - Escrava Crioula

Para o inesquecível sorriso de Vivian Carmo

Não era tu quem ali estava!
Vi incompreendido, tudo que abandonou,
E a dor, tão normal, que aqui deixou,
Em um a um dos tantos que amava...

Não, de fato, tu não estava ali!
E aquelas flores que te cobrem, bem sei eu, não colhes-te,
Flores tão belas, de fato eu afirmo, vives-te,
E encantou-nos a todos, perplexos, aqui.

Na lembrança tão belo e translúcido sorriso, apresentava...
E que gargalhada, por Deus, incomparável!
Tamanha sua capacidade, incomensurável,
De abrir qualquer outro riso, que a ti imitava.

Agora vai então, Nega vivaz dos olhos puxados,
Buscar na eternidade, encantar as luzes,
Enquanto que para nós, deixaste as cruzes,
Da dor e da saudade, nos teus entes amados.
Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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