"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

SEBO ARILOQUE

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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

OS PASSOS DE UMA FLAMA


Lábios meus,
Vivem por
Subir Tuas
Costas e,
Morrem por
Descê-las...
Recriando-se nos
Teus sons,
Prolíficas
Imagens, verdades,
Primordiais do ato,
Amável, arquetípico
Das heroicas
Delícias históricas,
Místicas, mitológicas,
Da origem,
Da vertigem,
Sacanagem,
Malícia-carinhosa
Que me serve
Aos trancos e
Solavancos.
Implode-se 
Sobre mim,
Por nós.
Explode-me!

domingo, 24 de outubro de 2010

O BANQUETE DAS FÚRIAS

Cupidon et Psyché - Jacques-Louis David (1817)

Disseste-me "Venha me visitar.
E traga-me o teu melhor alimento."
Respondi então, sem exitar, "Levo-te
o melhor que eu tiver no momento."
Recebeste-me então, sagaz e faminta,
Despindo-me das minhas oferendas.
Exigiste-me: "Onde estão os temperos,
que dão gosto a tal mesa que ostenta?"
E tomada então foste, tu,
Na força dos meus braços que a controlava,
E de faminta e devoradora gulosa,
Principal prato, tornou-se furiosa!
"Que fazes, comigo?!", gemeste, indignada!
Enquanto que com beijos,
No pescoço, te contornava:
"Carnes e frutos, somos então,
Compartilhados nas travessas da loucura,
Temperados nos sais da paixão,
Ou nas amáveis caldas da doçura."

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O BARCO DO DELÍRIO


Na beira do mar, esperei.
Apontaste então, dentre a neblina. 
Perguntei: "Para onde tu vais?"
E deslizando sobre as águas tais,
O Navio encostou, arremeteu
Dele uma voz então, respondeu:
"Aqui, destino não tens e não terás!"
Mesmo assim, embarquei...
Para esta jornada, me entreguei!
E no barco a balançar alucinado,
De um lado, para o outro lado,
Perguntei completamente atordoado:
"Quem estende-me a mão,
para que eu seja amparado?"
E eis que, ao meu redor, rodopiando,
Numa dança que não explico, narrando,
Terpsicore, a musa, surgiu bailando:
"Não te seguro, não te seguras,
Nem nas profundezas, nem nas alturas".
E naquela fração de segundos, já apaixonado
Pelas trombetas do amor fui petreficado,
E no Barco do Delírio, eu havia naufragado.

OS CÂNTICOS DO TEMPO


Crowley e Pessoa (Portugal-1935): Xadrez

Tempo... 
Que venhas!
Escorre pois, 
Pelo meu espírito!
Toma 
Cada um 
dos fios
Da minha
Cabeça... 
Cada um
dos poros
da minha
Pele...
Pinta de branco,
Engana 
com encanto,
O desespero
Que começa!
Os cânticos
Da sabedoria,
Ressoa,
Um a um.
Acalma-me,
em verso,
Sem prosa,
Em Pessoa.
Metafísico,
Pragmático,
Senhor,
Tempo.

sábado, 2 de outubro de 2010

EU, UM POÇO


Não fosse eu,
Um poço dos mistérios,
Celestiais e mundanos,
Estaria você, curiosa e,
Nas entrelinhas de ser,
Para mim, auspiciosa?

Não fosse eu,
Um emaranhado de paixões,
Possíveis ou improváveis,
Estaria você, ansiosa e,
Nas obviedades de ser,
Para mim, presente?

Não fosse eu,
Um acumulado de vazios,
Sem nome ou direção,
Estaria você, distante e,
Nas angústias de ser,
Para mim, quem é?

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

UMA VISITA E A PERFEITA IGUARIA


Bateu
em minha porta,
Apresentando-se:
"Sou Amor!"
E logo e desesperadamente
Convidei, "Entra e senta...
...Mas não repara na bagunça,
Nem na palidez daquela que,
No chão jaz,
Morta!"
"Amor", eu disse,
"Toma o copo, não se assuste,
Beba e coma de todas as coisas
Que encontrares com sua
Fome...
... Mas não se deixe abater
Por aquela que,
No chão,
Jaz
Sem nome!"
"Você!", disse o Amor:
"Junta ela nos teus braços,
prepara-a cozida em fogo brando...
... Tempere-a e come com prazer.
Pois aquela que
No chão,
Morta e sem nome, jazia
É a Paixão, a mais perfeita iguaria...
Que  dentro de ti, busca reviver!"

domingo, 26 de setembro de 2010

QUE MUSA ÉS TU?


Ó musa dentre as musas, 
na ânsia desta busca tua,
Olhei para o panteão grego, 
curioso a procurar-te
E me apresentadas foram,
às que o Olimpo perpetua,
Para que eu pudesse, 
então, reconhecer-te:

Calíope
Tens dela a voz que ecoava
A eloquência da tua rebeldia
E o buril que em minh'alma perpetuava
O desejar-te a cada instante, a cada dia.

Clio
Desta trazes minha história escrita,
Nos mistérios do entreaberto pergaminho,
Em enigmas que desvendarei pelo caminho.
Das palavras em quantidade infinita.

Erato
Baila lírica pela poesia,
Alimentando-me das ervas da paixão,
Ora és a dor d'outra desilusão.
N'outras, letra de amor e alegria.

Euterpe
Sopra a flauta das canções entorpecentes,
Flexibiliza a chamada e temida "moral"
Corroborando com paixão o ilegal,
Reduz a distância entre os certos e os indecentes.

Melpômene
Tua máscara trágica, não me diz quem tu és
E a grinalda florida me denota paixão
Mas seguras a Ptisa, como bastão,
Causando-me o medo, da cabeça aos pés.

Políminia
Escondes o rosto, misteriosa, velada
Cantas a música harmoniosa, cerimonial
Dos amores crês no sacramental,
Metafisicamente és, pelo espírito, selada.

Tália
Fez brotar flores, onde as pedras, abundavam,
Regou de sorrisos, a face entristecida,
Com o bastão e a coroa de hera, foste conhecida,
Nos corações dos que, por ti, se encantavam.

Terpsícore 
Tua dança rodopiante,  ao som da lira e plectro
Cantarolando letras de amor e de alegria,
Me conduzem lentamente, pelas águas da agonia,
Perdendo-me por ti, convertendo-me num espectro.

Urânia
Elevas todas as coisas ao sublime celestial,
Rege teu compasso, a globo e os astros
E nas constelações do espaço, deixas-te os rastros,
Para amantes ventureiros d'um amor universal!

domingo, 12 de setembro de 2010

DOR DO INCAUTO


Venha então, no meu leito,
dor sem nome...
Rasga os tecidos,
desta alma,
Deste peito!
Executa a minha calma,
Pela fome,
E com seu jeito,
faz meu clamor insano,
ser em vão.
Busca no alto,
Minh'alma e põe no chão
Cega os olhos,
Nos delírios deste efeito,
Punindo as horas,
regadas de ilusão,
D'um ansioso homem,
tão incauto na paixão.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

LONG PLAY


Ligada,
Coloco-te girando...
Num ritimo único, intenso.
Minha língua-agulha,
Percorrendo tuas linhas,
tocando-as!
Emitindo teus altos e
Formidáveis e
Bons sons.
Termino um lado,
Hora de virar-te.
E ouvir
Todas as outras,
Canções do prazer.

domingo, 5 de setembro de 2010

GOLES DIONISÍACOS

Baco e Ariadne

Três goles e chegas-te,
Ó Dionísio!
Força motriz
Que jorra pelo caminho, 
As almas,
Dos corpos, 
Expulsas pelo vinho!
Ventos ébrios,
Concupiscentes,
Que sopram
Com prazer, aos espíritos
Condescendentes,
Que lambém solitários
Os meios
E entornos de pernas,
Costas e seios...
Mirabolante sommelier,
Das gotas do doce
Nectar da fruta molhada,
Que aguarda ansiosa um 
Doravante,
Voraz
Devorador
Amante.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

PEDAGOGIA DA VONTADE

helmut_newton_alligator_still

Musa... Musa... Musa,
Entoarei aos ventos!
Toma-me arrebatado,
Decreta-me
Submeter
O meu ícone,
Para provar
Teu símbolo...
Se beijo,
Sacralizo!
Se mordo,
Profano!
Das marcas,
dos dentes,
Não tenho engano:
Devorador seu,
Me idealizo!
Eis o apetite da fera,
Que reluz a bela,
E se alimenta
dela.

sábado, 28 de agosto de 2010

DO SEXO OU O ENCONTRO DAS PELES SENSÍVEIS

Fonte: http://bit.ly/jUXhlz

Sexo é um bicho,
que procura seu nicho,
para se enfiar.

Sexo é um estigma
que apresenta um enigma,
por desvendar:

Pele da boca?
Pele da Cabeça?
Boca na Pele?
Boca na Cabeça?
Cabeça na pele?
Cabeça na boca?

Dê sexo,
Dentro e fora,
Dentro e fora,
Dentro e fora
Da cabeça.

ODE AO AMOR DESCONHECIDO - SERÁS BENDITA


Não tens um rosto, uma forma, uma idade.
Mas na crença de quem, ao amor, busca e quer,
As portas estão abertas em hospitalidade...

Projetar-me vou, naquilo que,
Em alma,
Já vivo:
Terás da paixão e do amor,
a infinitude...
Esquadrinhada nas mãos minhas,
Arquitéto ardiloso, das tuas formas,
eficaz estudioso, das normas,
Da trêna incansável, somando a medida,
Das distâncias da tua pele, arrepiada.
Dos arcanos terás, os mais enbevecidos:
O louco que te diverte,
O guerreiro que te protege,
O amor, que te converte.
Viverás aninhada, no peito masculino
Que te amamentará, não mais,
Do que de prazer.
Viverás possuída na cama-mesa,
Que te alimentará, bem mais
Do que de carinhosa safadeza.
Terás um confidente para despejar tua vida
E cantares cômicos, sedutores.
Receberás, então, sugestões de lugares,
condições, sensações, ilusões e menções,
De todas as coisas que hora
Façam o que tanto quer:
Ser plena, deleitável e satisfeita,
Ser mulher.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

UM PENSAMENTO SOBRE AS MUSAS


Musas são frutas que os deuses cravaram na alma do poeta como "objeto de sacieade" a ser amado e perseguido.

DO LIMIAR


Sei  os
Deliciosos
Caminhos para,
Escalar-te,
Elevar-te,
E levar-te
Ao topo
Do limite,
Do limiar.
Delimitar
Ao ato
De limitar.
Fazer-me
Objeto da
Anti-regra
Tua.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

DESEJOS E SENTENÇAS



Constranger-te,
Conversando,
Cativando,
Causando,
Conscientizando,
Condicionando,
Criando,
Construindo,
Costurando,
Converter-se...
Com você.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A PROMESSA DE PERSEU

Perseus and Andromeda, Charles Napier


Ei de devorar-te
Doravante...
Cobrir-te os ouvidos,
De palavras-lençóis.
Remeter-te ao insano,
Perder dos olhos,
Que viram 
Para dentro de ti.
Dentro de ti...
Dentro de ti,
Promover revoltas, 
Rebeliões, 
Independências!
Fazendo-te,
Dependente,
Do alimento
Que sirvo-te
Ao dente,
Ao contento...
Conduzir-te,
Aos Céus,
Seduzir-te,
Aos Infernos...
Provando-te
Na fúria,
Ou nos sentimentos
Ternos.
Diariamente,
Ser língua,
Condenada,
A falar-te, paixões,
Vadiagens...
Sentir teu gosto,
Sacanagens...
E jamais voltar, 
À míngua,
Acordar.

sábado, 21 de agosto de 2010

QUIXOTESCO


Eu,
Quixote,
Quixotesco,
Amaldiçoado serviçal,
Dos meus deliciosos
Delírios!
Andarilho perturbado,
Das estradas,
Infestadas
De moinhos.
Guerreiro amante,
Das terras férteis,
E dos corpos frutíferos,
Colhídos,
Na dor.
Errante sonhador,
Faminto lavrador,
Dos termos,
Da alma,
Coletiva,
Vadia!

O QUE VEJO E O QUE VIVO


Asas avassaladoras,
Arrancaram-me do chão.
Despretenciosas,
delicadas:
Não te olhei,
Te vi.
Não entendi,
Vivi.
O sorriso,
Os olhos,
As mãos,
O pescoço.
A tortuosa vontade
De tocar.
O rosto,
Os lábios.
O doce que projetas
Em minha mente.
Salivando, pedi
Aos anjos 
Que me enganam,
Que te chamem
Pelo nome
Saciando-me,
A fome.
Matando-me
A sede
de saber
quem
tu
és.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

ALMA BE-BOP

Para Denise

O balanço dos ventos e das estações,
Apresenta aos olhos e ao coração,
Estas amáveis impressões:

Vives a fantasia, consome-se em dom.
Teu alimento é sonho, impulso.

Tua fome é de fúria, de som.
És a própria comida, d'outras vidas em curso.

Tens banquetes de alma, eis teus atrativos!
Tens tom, movimento, eis tua carruagem...
És o passo e apetite, para outros motivos,
És puro espírito, aberta mensagem.

terça-feira, 20 de julho de 2010

VITRAIS



Olhos,
Boca,
Seios,
Mãos...
Sagrados e
Profanos
Vitrais,
que diluem
sobre meus
Olhos,
Boca,
Peito,
Mãos...
As luzes
e as cores,
Sagradas e
Profanas
De dentro
de ti.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

CAMAFEU


Desespero que me toma e consome,
Na ânsia amarga de desconhecer,
As origens destes olhos sem nome,
Que levam o poeta a enlouquecer!

Do céu, vem eles, eu sei!
Pela harmonia do Oriente nos traços,
Ou como a doçura dos motis nos pratos,
Que em admiração, nos sonhos, experimentei...

Do inferno, vem eles, sei bem eu!
Pelo assombro que ao meu sono, carregou,
E que nas imagens dos pensamentos, se perpetuou,
Ao congelar-se no virtual camafeu.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

AO BAILADO PARADO DA DAMA DO LAGO

 
Ao cruzar a ponte do desejo perdido,
Na dança de gesto inebriado,
Defrontaste a árvore do fogo esquecido,
E saudaste as pétalas do espírito ardido.


Rodaste, rodaste, o bailado pagão,
Das regras sem regras, o corpo, então,
Serpenteia as ondas, acima do chão,
Avivando outros olhos, em elevação.

Foto: Adriano C. Tardoque

domingo, 4 de julho de 2010

NATIVA CRIANÇA


 Nativos,
Altivos,
Das terras,
Das eras.

Esperança,
Herança,
Da beleza,
Da natureza.

Comunhão,
Concepção,
Do sujeito,
Do respeito.

Cultura,
Candura,
Da alma,
Da calma.

Esperança,
Herança,
Da nativa
Criança.

Foto: Crianças brincando - Etnia Yawalapiti - Fotografo: André C.S. 2009 http://www.flickr.com/photos/andrecss/page2/

sexta-feira, 28 de maio de 2010

ARDAMOS

 Degás

Teus olhos curiosos,
Fitaram os meus.
E escorreram
Pela minha
Face cheia
Em ressalvas.
Mergulhando então
Na minha e já tua,
Boca.
Desafiando, então
A minha e já nossa,
Loucura.
Dissolveu, pois bem,
A ética
Em aquarela.
Esparramando em cores,
Desejos, lampejos.
O bailado, 
Proibido,
O aprendizado, 
Escondido.
Querer não nos julga,
Nos queima!
Ardamos,
Então.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

TURBILHÃO DO CÁLIDO DESPERTAR



Desce doce,
Some fome.
Largo amargo.
Medo azedo.

Mal carnal
Festejo desejo,
Vislumbre insalubre.
Paz ineficaz.

Mente sente.
Vive declive
Orna retorna
Aquece esquece.

sexta-feira, 26 de março de 2010

PARA A FÊNIX HILDA HILST


 © Marjorie Sonnenschein* Hilda Hilst

Teu verso
levo n'alma!
Marcando às páginas
d'um romance franco ou russo.
Ou coladas no espelho
de corpo inteiro,
para que eu me,
veja todas as vezes que leio.
A sorrir o espirito, ao ler, descobrindo,
A derradeira tentação,
da chama que me consome.
Nada me parece,
tudo então, és:
Brilho vivo, toda poesia!
O melhor adeus sensato ao sentido,
Do nomadismo do quarto
Ao sedentarismo da sala.
Fragmento ativo estrutural da fala
Me soa como fome.
Me soa como sede.
Ou um conto de quem sempre desconfio...
Crendo!


segunda-feira, 1 de março de 2010

EU, O BÁRBARO!

Vitral representando Willian Wallace: dentre outras coisas os bárbaros morriam por LIBERDADE

Eu, o Bárbaro!
Algoz falastrão,
Juiz das
pseudo-donzelas
balzacas,
futeis,
furtáveis,
falíveis!
Menestrel,
do meretríssimo
incongruente
da sensibilidade
banal da ficção
francesa, 
filmica.
farcesca!
Poeta,
Expoente nonsense,
da elegia pitoresca...
Ave Maria!
Católicaos
fugidio,
fuçado,
furado!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

TRÊS SÁTIROS COMBALIDOS E A NINFA RELUZENTE

 
Satyricon  (Fellini) (Signed) (Limited Edition) - Por Milo Manara

Três Sátiros, sentados, combalidos
Em cadeiras dispersas, distribuídos.
E nos metros cicundantes ao redor,
A exuberância deflora em tom maior:

Pequenina, proporcional e tão bela
A Ninfa ali reluz, como numa tela,
De um quadro perfeito, emoldurado,
Alimentando o desejo, desesperado...

De quem não entende o acúmulo monumental
De tanta formosura num só local,
Na pele clara e delicada, de um só ser,
Arrebatando as almas que vêem para crer.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

INCOMMENSURABILE


Para Priscila

Vai...
Pelo céu, sonha e vê
Tudo aquilo que
as imagens
Da menina
até a mulher
Mostraram.
Caminha pela Constantinopla,
Bizâncio,
Istambul...
Por onde marcharam romanos, 
cruzados,
otomanos.
Sente no ar
o aroma perfumado
Das feiras.
Recorda-te seus movimentos
A dança, a cultura, a lembrança.
Do teu bailado, respira a herança.
Contempla a monumentalidade,
Contar o Cairo, não lhe será caro.
Traga cheio o coração,
Para servir a sua paixão,
Da busca eterna,
Alegria fraterna,
Amor em sí.
Mata a saudade
do que não
viveu
com
Vida.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

SÃO PAULO: CARTA AO AVESSO NOSSO DE CADA DIA

Edifício Copan

Como muitas coisas em ti, minhas palavras também se atrasaram. Mas saiba que envolto a chuva/garoa que te assolava no dia em que eras bendita, pensava eu no que queres tu de mim e no que quero eu de ti. O melhor de tudo isso é sempre nunca chegar a nada. Pois nos resultados se perdem os improvisos e deixaremos então o jazz para jazer em qualquer um dos milhões de cantos que preparas com sombras ou luzes coloridas. O quanto já te odiei, agarrado ao teu seio cultural e tantas outras vezes te amei em saudade louca das tuas veias congestionadas prestes a arrebentar jorrando a falta de marasmo para todos os lugares... E feliz, eu sou outro filho teu, que gerado no teu ventre, devora-te pelas vísceras. Assim tu nasces e morres em meus olhos e palavras, todas as vezes que eu produzir-te ao que não entenderá jamais o que é tua concreta deselegância. De fato, tu és, um mar de arrogância! Monumental, babilônica, cosmopolita, paradoxal, nevrálgica... Lar, com café amargo, lar.

Imagem: http://www.urbanamente.net/blog/2009/07/08/poesia-concreta/

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

SÚPLICA AOS OLHOS




Olhos meus,
Outrora condenados...
Deixem de ser,
Espelhos!
Caiam, partam-se
E retornem,
Projetores,
Do que
De fato,
Produz meu
Coração
Em minha
Alma!

sábado, 16 de janeiro de 2010

ÉS TU, HORIZONTE?


A devastadora
Doçura que
Cobre meus
Olhos quando
És tu,
Horizonte?

Ouves
A descomunal
Busca de
Palavras que
Afaguém
Tu e, a mim,
Verticaliza?

Degusta...
Deixa os aromas
Trazerem
Sentimentos, os
Sabores e as
Dádivas de vivermos
Em paralelo.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

AS LUZES SINGULARES DO PRIMEIRO DIA


Edifício na Avenida Paulista*

Metrópole és vazia...
Coração, enchendo
e a mente
Transbordante.

Eu,
Autóctone meu,
Singular,
Substantivo,
Substanciável...

Cavalgando
O coletivo,
Refletindo n'alma
as coloridas luzes,

Brilhantes edifícios,
Asfalto espelho,
é difícil, assim,
Não ser cor
Nem Luz.

A casa,
Volta-me
em volta, confortável
Mente
Sedada.

Um
De um,
De dois mil
De dez.
De si.


Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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