"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

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sábado, 28 de agosto de 2010

ODE AO AMOR DESCONHECIDO - SERÁS BENDITA


Não tens um rosto, uma forma, uma idade.
Mas na crença de quem, ao amor, busca e quer,
As portas estão abertas em hospitalidade...

Projetar-me vou, naquilo que,
Em alma,
Já vivo:
Terás da paixão e do amor,
a infinitude...
Esquadrinhada nas mãos minhas,
Arquitéto ardiloso, das tuas formas,
eficaz estudioso, das normas,
Da trêna incansável, somando a medida,
Das distâncias da tua pele, arrepiada.
Dos arcanos terás, os mais enbevecidos:
O louco que te diverte,
O guerreiro que te protege,
O amor, que te converte.
Viverás aninhada, no peito masculino
Que te amamentará, não mais,
Do que de prazer.
Viverás possuída na cama-mesa,
Que te alimentará, bem mais
Do que de carinhosa safadeza.
Terás um confidente para despejar tua vida
E cantares cômicos, sedutores.
Receberás, então, sugestões de lugares,
condições, sensações, ilusões e menções,
De todas as coisas que hora
Façam o que tanto quer:
Ser plena, deleitável e satisfeita,
Ser mulher.

Um comentário:

Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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