"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

PEDAGOGIA DA VONTADE

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Musa... Musa... Musa,
Entoarei aos ventos!
Toma-me arrebatado,
Decreta-me
Submeter
O meu ícone,
Para provar
Teu símbolo...
Se beijo,
Sacralizo!
Se mordo,
Profano!
Das marcas,
dos dentes,
Não tenho engano:
Devorador seu,
Me idealizo!
Eis o apetite da fera,
Que reluz a bela,
E se alimenta
dela.

3 comentários:

  1. A vontade de devorar...
    A vontade as vezes é tanta que o toque parece limitar...parece mais uma barreira que não alimenta mais os sentidos...sentidos insaciáveis que não se contentam mais com o toque, com o lamber...é preciso urgente devorar, entrar dentro da pele...na realidade é um anseio por alma, algo além da matéria, do tempo e do espaço...

    Serão os sentidos realmente portas? Ou portas para outras portas?

    ** Adorei o novo visual da site...inspirador!
    E a frase de Walt Whitman...

    ** Amei sua visita lá na sala...você não faz idéia o quanto é importante para mim saber que provoquei algo, uma reação, com minhas palavras...
    Sim, a bestialidade sempre está presente e é quese insuportável...mas a música nos faz sentir para onde devemos voltar nossos sentidos...dentro..sempre dentro...
    Beijos

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  2. Eis a única hora em que se faz justo ser "besta-fera": no instante de DEVORAR! Relegaram como crime do instinto o desejo avassalador e esqueceram que é deste, que brotam os sentidos primordiais: paladar, tato, oufato, audição... Tudo o que tornará alimento em alimento, faminto em faminto.
    Inspiras e fazes respirar.

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  3. BRINDE NO BANQUETE DAS MUSAS

    Poesia, marulho e náusea,
    poesia, canção suicida,
    poesia,que recomeças
    de outro mundo, noutra vida.

    Deixaste-nos mais famintos,
    poesia, comida estranha,
    se nenhum pão te equivale:
    a mosca deglute a aranha.

    Poesia, sobre os princípios
    e os vagos dons do universo:
    em teu regaço incestuoso,
    o belo câncer do verso.

    Azul, em chama, o telúrio
    reintegra a essência do poeta,
    e o que é perdido se salva...
    Poesia morte secreta.

    DRUMMOND

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Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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