"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

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domingo, 26 de setembro de 2010

QUE MUSA ÉS TU?


Ó musa dentre as musas, 
na ânsia desta busca tua,
Olhei para o panteão grego, 
curioso a procurar-te
E me apresentadas foram,
às que o Olimpo perpetua,
Para que eu pudesse, 
então, reconhecer-te:

Calíope
Tens dela a voz que ecoava
A eloquência da tua rebeldia
E o buril que em minh'alma perpetuava
O desejar-te a cada instante, a cada dia.

Clio
Desta trazes minha história escrita,
Nos mistérios do entreaberto pergaminho,
Em enigmas que desvendarei pelo caminho.
Das palavras em quantidade infinita.

Erato
Baila lírica pela poesia,
Alimentando-me das ervas da paixão,
Ora és a dor d'outra desilusão.
N'outras, letra de amor e alegria.

Euterpe
Sopra a flauta das canções entorpecentes,
Flexibiliza a chamada e temida "moral"
Corroborando com paixão o ilegal,
Reduz a distância entre os certos e os indecentes.

Melpômene
Tua máscara trágica, não me diz quem tu és
E a grinalda florida me denota paixão
Mas seguras a Ptisa, como bastão,
Causando-me o medo, da cabeça aos pés.

Políminia
Escondes o rosto, misteriosa, velada
Cantas a música harmoniosa, cerimonial
Dos amores crês no sacramental,
Metafisicamente és, pelo espírito, selada.

Tália
Fez brotar flores, onde as pedras, abundavam,
Regou de sorrisos, a face entristecida,
Com o bastão e a coroa de hera, foste conhecida,
Nos corações dos que, por ti, se encantavam.

Terpsícore 
Tua dança rodopiante,  ao som da lira e plectro
Cantarolando letras de amor e de alegria,
Me conduzem lentamente, pelas águas da agonia,
Perdendo-me por ti, convertendo-me num espectro.

Urânia
Elevas todas as coisas ao sublime celestial,
Rege teu compasso, a globo e os astros
E nas constelações do espaço, deixas-te os rastros,
Para amantes ventureiros d'um amor universal!

3 comentários:

  1. Eu me encaixo na musa Terpsícore.

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  2. O que seria de nós sem as mulheres, musa de todos os dias nos enche de alegria, tortura quando querem nosso ser.

    ResponderExcluir

Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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