"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O BARCO DO DELÍRIO


Na beira do mar, esperei.
Apontaste então, dentre a neblina. 
Perguntei: "Para onde tu vais?"
E deslizando sobre as águas tais,
O Navio encostou, arremeteu
Dele uma voz então, respondeu:
"Aqui, destino não tens e não terás!"
Mesmo assim, embarquei...
Para esta jornada, me entreguei!
E no barco a balançar alucinado,
De um lado, para o outro lado,
Perguntei completamente atordoado:
"Quem estende-me a mão,
para que eu seja amparado?"
E eis que, ao meu redor, rodopiando,
Numa dança que não explico, narrando,
Terpsicore, a musa, surgiu bailando:
"Não te seguro, não te seguras,
Nem nas profundezas, nem nas alturas".
E naquela fração de segundos, já apaixonado
Pelas trombetas do amor fui petreficado,
E no Barco do Delírio, eu havia naufragado.

7 comentários:

  1. Meu Deus, que poema incrível...nem tenho palavras...só posso dizer o quão profundo e emocionante é. Professor, parabéns!

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  2. Obrigado, Gilmar. Com este poema inaugurei uma nova modalidade da escrita: a "Poesia premonitória". De forma simbólica cada um dos fatos teve seu reflexo no "real" (se é que se pode acreditar que o "real" exista, realmente). Segue a vida. Evoé!

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  3. Sente-se o prazer e o desgosto, a saborosa brisa do oceano mesclado com o féu...
    Doí sempre doí, sempre o irá sentir, ira?? bhaa pra que, se somos movidos por esses sentimentos!! que deixe naufragar, nada até outra praia e esperar. Para novamente poder naufragar.

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  4. Eduardo Lázaro disse...

    Se cada calculo nos desse o valor exato, não gasteríamos mais do que teríamos, e não teríamos nada além do enfadonho programado. São poesias como essa sua que mostra para a vida que não é de antes nem de hoje que se arrisca de forma destemida. Cavaleiros e Dragões existem em cada luta impossível que só se percebe para quem foi depois que um desbravou e o outro subestimou. Bem, muitas palavras eu usei para lhe dar meus parabéns e avisar que continuo aqui sentado de pernas cruzadas pelo próximo post.

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  5. Se cada verso fosse uma dor que parte... sangue que coagulasse, ferida que ao rasgar começasse a cicatrizar... Esta escrita esfolada me lembra a tatuagem a ferro no corpo que segue viagem não porque quer mas porque não pode escapar.

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Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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