"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

SEBO ARILOQUE

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quarta-feira, 14 de abril de 2010

TURBILHÃO DO CÁLIDO DESPERTAR



Desce doce,
Some fome.
Largo amargo.
Medo azedo.

Mal carnal
Festejo desejo,
Vislumbre insalubre.
Paz ineficaz.

Mente sente.
Vive declive
Orna retorna
Aquece esquece.
Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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