"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

SEBO ARILOQUE

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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

UMA VISITA E A PERFEITA IGUARIA


Bateu
em minha porta,
Apresentando-se:
"Sou Amor!"
E logo e desesperadamente
Convidei, "Entra e senta...
...Mas não repara na bagunça,
Nem na palidez daquela que,
No chão jaz,
Morta!"
"Amor", eu disse,
"Toma o copo, não se assuste,
Beba e coma de todas as coisas
Que encontrares com sua
Fome...
... Mas não se deixe abater
Por aquela que,
No chão,
Jaz
Sem nome!"
"Você!", disse o Amor:
"Junta ela nos teus braços,
prepara-a cozida em fogo brando...
... Tempere-a e come com prazer.
Pois aquela que
No chão,
Morta e sem nome, jazia
É a Paixão, a mais perfeita iguaria...
Que  dentro de ti, busca reviver!"

domingo, 26 de setembro de 2010

QUE MUSA ÉS TU?


Ó musa dentre as musas, 
na ânsia desta busca tua,
Olhei para o panteão grego, 
curioso a procurar-te
E me apresentadas foram,
às que o Olimpo perpetua,
Para que eu pudesse, 
então, reconhecer-te:

Calíope
Tens dela a voz que ecoava
A eloquência da tua rebeldia
E o buril que em minh'alma perpetuava
O desejar-te a cada instante, a cada dia.

Clio
Desta trazes minha história escrita,
Nos mistérios do entreaberto pergaminho,
Em enigmas que desvendarei pelo caminho.
Das palavras em quantidade infinita.

Erato
Baila lírica pela poesia,
Alimentando-me das ervas da paixão,
Ora és a dor d'outra desilusão.
N'outras, letra de amor e alegria.

Euterpe
Sopra a flauta das canções entorpecentes,
Flexibiliza a chamada e temida "moral"
Corroborando com paixão o ilegal,
Reduz a distância entre os certos e os indecentes.

Melpômene
Tua máscara trágica, não me diz quem tu és
E a grinalda florida me denota paixão
Mas seguras a Ptisa, como bastão,
Causando-me o medo, da cabeça aos pés.

Políminia
Escondes o rosto, misteriosa, velada
Cantas a música harmoniosa, cerimonial
Dos amores crês no sacramental,
Metafisicamente és, pelo espírito, selada.

Tália
Fez brotar flores, onde as pedras, abundavam,
Regou de sorrisos, a face entristecida,
Com o bastão e a coroa de hera, foste conhecida,
Nos corações dos que, por ti, se encantavam.

Terpsícore 
Tua dança rodopiante,  ao som da lira e plectro
Cantarolando letras de amor e de alegria,
Me conduzem lentamente, pelas águas da agonia,
Perdendo-me por ti, convertendo-me num espectro.

Urânia
Elevas todas as coisas ao sublime celestial,
Rege teu compasso, a globo e os astros
E nas constelações do espaço, deixas-te os rastros,
Para amantes ventureiros d'um amor universal!

domingo, 12 de setembro de 2010

DOR DO INCAUTO


Venha então, no meu leito,
dor sem nome...
Rasga os tecidos,
desta alma,
Deste peito!
Executa a minha calma,
Pela fome,
E com seu jeito,
faz meu clamor insano,
ser em vão.
Busca no alto,
Minh'alma e põe no chão
Cega os olhos,
Nos delírios deste efeito,
Punindo as horas,
regadas de ilusão,
D'um ansioso homem,
tão incauto na paixão.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

LONG PLAY


Ligada,
Coloco-te girando...
Num ritimo único, intenso.
Minha língua-agulha,
Percorrendo tuas linhas,
tocando-as!
Emitindo teus altos e
Formidáveis e
Bons sons.
Termino um lado,
Hora de virar-te.
E ouvir
Todas as outras,
Canções do prazer.

domingo, 5 de setembro de 2010

GOLES DIONISÍACOS

Baco e Ariadne

Três goles e chegas-te,
Ó Dionísio!
Força motriz
Que jorra pelo caminho, 
As almas,
Dos corpos, 
Expulsas pelo vinho!
Ventos ébrios,
Concupiscentes,
Que sopram
Com prazer, aos espíritos
Condescendentes,
Que lambém solitários
Os meios
E entornos de pernas,
Costas e seios...
Mirabolante sommelier,
Das gotas do doce
Nectar da fruta molhada,
Que aguarda ansiosa um 
Doravante,
Voraz
Devorador
Amante.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

PEDAGOGIA DA VONTADE

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Musa... Musa... Musa,
Entoarei aos ventos!
Toma-me arrebatado,
Decreta-me
Submeter
O meu ícone,
Para provar
Teu símbolo...
Se beijo,
Sacralizo!
Se mordo,
Profano!
Das marcas,
dos dentes,
Não tenho engano:
Devorador seu,
Me idealizo!
Eis o apetite da fera,
Que reluz a bela,
E se alimenta
dela.
Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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