"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

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domingo, 10 de abril de 2011

A FOME DOS ESQUECIDOS

A sesta - Van Gogh (1890)
Escala-me
Voraz, feroz!
E quando, a sós,
Doa-se a mim. 
E por fim,
Sêde de que alimento-me!

Tempero as tuas curvas,
com meus olhos, condimentosos...
E jantar-te-ei as pernas, com bebidas turvas,
Digerindo-te em partes, com molhos saborosos.

Dormirei então, a sesta dos preguiçosos,
Do corpo cansado, amolecido,
Pelo devorar herdado dos ardilosos
E bárbaros descendentes esquecidos.

3 comentários:

  1. Se pensar dá preguiça, descansar em poesia faz ter bons sonhos, mas acho que os caras do van gogh aí não vieram de uma orgia, rs. Bem, talvez o cansaço do trabalho dê vazão a uma orgia onírica,rs. Abraços!

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  2. Conexões, relativizações. Diria Reich que elevar o tesão a outras instâncias, como o trabalho (e quantos sentem isso no que fazem), é uma forma de desfrutar tal efeito orgástico. Mas no campo que faz fundo a figura, nada leva a crer pela atmosfera "seca", qualquer indício do tal tesão. Mas na sesta, tudo se conecta. E a excitação do tesão de relaxar em plena aridez, trás a tona outros objetos oníricos de prazer. Xarada morta.

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  3. Muito legal esse poema. Bem forte e de impacto. Parabéns pelo blog.

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Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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