"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

LEMBRANÇAS E VEGETAIS DE PLÁSTICO

Meu corpo, o teu corpo esquecerá.

O tempo a minha voz apagará.

Do meu tom não mais se recordará.

Tão pouco das coisas que eu te dizia.

E a simplicidade de tudo aquilo que eu queria,

Na fome dos lábios e no peito que te acolhia,

Perecerá diante do que realmente não vê.

Dos dias tediosos e alucinantes noites, você

Plantará mais sementes do que não crê.

Então regará jardins que não florescem,

De vegetais de plástico que não envelhecem,

Esperando sonhos que não acontecem.

Imagem: 
http://www.fotolog.com.br/lhuuzinha/76180136

2 comentários:

  1. Ah só essa trilha sonora já deixa a gente de perna mole... E voce ainda escreve esse texto!!! Covardia :P

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  2. E os alimentos á mesa nunca estragam, o ar falta com a cabeça envolta na do supermercado, e a criança que não empina pipa por não ter moeda corre com um na linha por algumas horas enquanto venta, e a compra da mistura, do mês, da necessidade, fica pra la e pra cá enquanto carrega...e o vento bate e ele não morre, nem vive mais do que sempre esteve, em abundância nos oceanos, dentro de casa, no meio da dúvida e no crédito do banco...corpo que virtualiza uma identidade, material que não é carne nem sangue, apenas indiferente transporte...

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Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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