"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

QUANDO EU NÃO ESTIVER MAIS AQUI


Quando eu não estiver mais aqui,
Acende a pira, com o fogo sagrado,
E ao lado do corpo que jaz, inanimado,
Semeia e queima, os livros que escolhi.

Arranca-me todas as flores do mal,
Nas estepes dos lobos, cumpre meu anseio
Espalha-me como folhas na relva,
ou minh'alma apanha, num campo de centeio.

Correndo o mar, a montanha, a selva,
Me levarão os ventos, como um fumaçal,
Desafiando o mundo, num mero passeio, 
Eternamente partindo,  nunca encontrando o final.

Quando aqui eu não mais estiver,
Canta as canções que um dia eu ouvi
Relembra os amores que tive ou vivi,
E abre a garrafa, d'uma bebida qualquer.

Um comentário:

  1. Um tema muito comum, e mais comum ainda, pra minha sorte, ler a sua poesia sobre a própria morte, muito bem feita!!

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Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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