"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

SEBO ARILOQUE

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sábado, 30 de julho de 2011

CONJUGANDO GRATIDÃO


Disse na canção o trovador,
Que vestindo-se de tradição,
O pescador,
"se encanta mais com a rede,
que com o mar".*

Digo, eu ao poeta admirador,
que despindo-me das letras com emoção,
a poesia, quando lida
é um ato nobre de amar.

Ao Poema CONJUGAÇÃO, de Eduardo Lázaro

*Lua e Flor - Oswaldo Montenegro - http://letras.terra.com.br/oswaldo-montenegro/73964/

quinta-feira, 28 de julho de 2011

MAPAS CRÔNICOS DO DESEJO


Milhares de gotas d'água,
quentes e caindo
em minha múltipla
cabeça...
Aquecem-me,
lavam-me,
levam-me até
tuas imagens,
tatuadas e autuadas,
em flagrantes memórias!
E nas lembranças
de passagem,
das palavras minhas,
dos sons teus,
contorcidos, distorcidos,
entorpecidos,
rendo-te, sozinho,
honrosa homenagem:
Seios,
teus meios de
clamar-me
para cuidar-me...
Suas curvas,
seus lados,
apontando-me para ver,
caminhos, destinos,
e onde se perder...
Seus quadris,
convidando
olhares devassos
e mais do que
remotos instintos
despertando...
Nós,
sós,
afim,
assim,
meus,
teus,
por Deus!
Eis-me,
derramado...
Enfim!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

UMA CAIXA

Numa caixa
d'onde nada
é maior e mais
transparente
do que a alma
do peixe,
as sensações
filmicas e sonoras
da tua essência,
dão-me a
Mensagem:
doa-se,
toma-me e
torna-nos
reciprocamente
doces.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

ANJO D'ÁGUA

G. Klimt, Fishblut, ill. per Ver Sacrum, 1898
Diferes dos anjos que passaram por mim,
Caído, arcanjo ou querubim,
nenhum destes, era assim:

Não voas, mergulha!
Não és infinita, és profunda!

Não vives no céu, vives nas águas...
Não possues asas, mas nadadeiras,
que levaram-te pra longe da origem das mágoas,
E ditaram-te o retorno, em ondas verdadeiras.

Fugis-te, voltas-te, nas lembranças, diferente!
Transmutando amores,  com olhos de luz,
e as liquidas curas do teu inconsciente,
que te recria, te refaz e a tua vida, conduz.

domingo, 10 de julho de 2011

ANTROPOFÁGICA

La Toilett - Tolouse Lautrec
Levanta o olhar,
fita os meus olhos,
Antes mesmo que termine
sua sagaz antropofagia!
Esta ânsia voraz de
devorar-me
aos poucos.
Lábios violentos,
gestos ingênuos,
que despertam-me
as fúrias acumuladas
da minha espécie.
Apressa-te e mata-nos,
Banhando-se do
Eu-líquido,
desesperado por
fugir e cobrir-te
por todas as direções.

SER PESCA E PESCADOR

Vincent Van Gogh - Pescador junto à ponte De Clichy.
Foste fisgada,
nadando por entre
as minhas palavras.
E nas confusões
entre ser peixe,
pescador e
pesca, 
eis que 
o retirado d'água
fui eu!
Agora, aqui, 
humano,
sem escamas,
debatendo-me no chão!
Carne adocicada,
nutritiva e viva;
alimento primordial
do espírito d'alguns,
dos corpos, d'outros.
Embebido no azeite,
me aceite,
ao ponto. 
Ouve,
degusta.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

CORPO NEGREIRO

Navio Negreiro - Rugendas
Corpo, 
meu navio negreiro!
No teu porão, 
carregas 
meu coração!
Escravo de tantos
senhores, de tantas alcunhas:
Senhor Amor, Senhora Razão,
Senhor Dor, Senhora Paixão...
Desembarcando em terras estranhas,
Para colocar a prova, 
novamente, minhas entranhas...
Minha sobrevivência em trabalho,
As providências sobre o que valho,
Colher o que fiz ser plantação:
Tornar meu peito livre,
são.
Tornar meu peito livre,
em vão.

LUA, FOGO E VINHO



Tens luz clara, luz dourada,
luz vermelha,
Tens mais do que minh'alma nua,
Tens do que mais precisa a luz:
a centelha!


Queres alguém que ame a Lua,
E que sempre pense, alegre ao vê-la:
"Ei-la no céu! Ela é minha, ela é tua!"


Queres alguém que ao fogo, ame,
E que quando dele se aquecer, sinta:
"Esteja comigo, para que eu me inflame!"


Queres alguém que seja, pelo vinho, apaixonado,
E que sempre ao prová-lo, te surpreenda:
"Deita-se ébrio de amor do meu lado!"

sexta-feira, 1 de julho de 2011

RE-EMBRIÃO

http://mimetize-se.blogspot.com/2011/06/re-embriao.html
Núcleo,
Semente.

Nu,
Clemente!

Folhas, flores, fases,
Sementes, cascas, frases.

Fez vida quando viva,
Faz vida, quando revivida.
Na arte, na composição,
Na parte, na construção.
No fluxo mandálico da comunhão.
Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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