"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

SEBO ARILOQUE

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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

UM VESTIDO VERMELHO


Tiraste com palavras
o vestido vermelho
engavetado nas
memórias minhas...
Tecido rubro
sob medida, criado
para, em ti,
dançar e cobrir-te
a branca pele
e cobrir-me
de fantasia...
Tocá-lo,
suspendê-lo,
tirá-lo,
banhá-lo
com meu
e o seu suor,
eu queria...
Para depois
vê-lo caído
no chão,
após flutuar,
nos segundos
duma fração...
E retornar
consciente da
vontade que
inerente deixa-me
entristecido...
Para novamente,
despertar e
engavetar
sem ti,
o teu vestido.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

LICORES INEXISTENTES


Utopia chamaste de bom grado a morte,
E a ela te entregaste de corpo inteiro e são,
E a tua alma deixaste para a própria sorte,
E os casos e acasos, desta pobre geração...

Sem peito, sem razão,
sem cor, sem bandeira,
sem força, sem tesão,
sem eira nem beira.

Cálices de licores inexistentes,
Que as horas inebriam com a solidão,
Dos delírios tecnológicos, que afogam as mentes,
Secando as raízes e folhas da transformação.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A CRIANÇA NO TEMPO


Quando pisco
meus olhos,
e os anos
passam voando...
Quando fecho
meus olhos,
e a infãncia
vem pairando...
Repleta de borboletas,
robôs, coqueiros e praias,
desenhados em branca
alma-papél,
que se colore lentamente,
acalentando minha mente,
e o meu
espremido coração,
que perde e pede
espaço para
voar no espaço!
Assina
Discos Voadores
e cruza as dimensões
da memória
da lembrança,
da história,
da esperança
e dá-me,
no tempo,
a doce
criança...

Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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