"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

SEBO ARILOQUE

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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

FRUTOS E VERBOS


Que os frutos do meu coração sejam maduros e suculentos.
Que minha alma se perca todas as vezes que se encontrar.
Que meu corpo me conduza em todos os momentos,
Que o verbo se fizer carne na conjunção de amar.

domingo, 30 de dezembro de 2012

NÃO ANDARÁS... LEMBRA.


Quando
me faltam
às pernas,
caminham
infindavelmente 
às ternas
memórias
que saltam
fortes e
impreterivelmente
às eternas 
lembranças
voltam
sensivelmente:

Todas foram, todas ficaram.
Deixaram algo, também levaram.
Umas amor, outras felicidade,
dor, tristeza ou saudade.
E voltaram,
e passaram.


sábado, 29 de dezembro de 2012

EXPRESSÃO ERÓTICA DE UM SENTIMENTO PLATÔNICO - PÁGINA 3, 1995

1995 - Recorte de Jornal e Pornopoesia de um jovem apaixonado para sua musa 
"Batidas sincronizadas
fodendo meu 
pensamento,
com o tesão
e o movimento,
que eu te fodia
em fantasia. Toques
suaves, forte aperto.
Gritos e loucuras,
com o acerto.
Sua bunda, suas costas...
Como são belas!
Bato forte meu peito
e ventre, indo de
encontro
à elas."

(1995)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

NO SOUL



Este d'alma ausente, sou Eu.
Vivendo para ver as coisas acontecerem,
no fio da razão que não ilumina,
um corpo sem aparência.
Eu chamo minhas sensações ,
como se elas tivessem vidas próprias.
Vejo o que é real:
o caminho segue tortuoso,
em direção a mim mesmo. 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

ACUMULADOR EMBEVECIDO


Enlouquecido?
Apenas deixei
as portas abertas
e tornei-me
sagaz acumulador.
Costurei pensamentos
enrolei desejos
com barbante
forte e incolor.
Inverti os dias
do calendário,
invoquei a fé
do Bispo do Rosário,
que em ditado
propôs num instante,
que eu fosse mais um amante,
da divindade que a arte
em mim plantou.
Enlouquecido?
Embevecido!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

AUTOCIVILIZAÇÃO


Amamenta-me a loba, postada sobre mim,
junto do meu gêmeo que em breve matarei,
para fundar a minha autocivilização e assim,
parir o impulso arquetípico, que no peito eu gestei.

E pulsando juventude, da livre libertinagem,
a flauta de Pã para as ninfas, vou tocar
e nos olhos da Medusa, contemplarei a imagem,
do Teseu  sem tesão a se petrificar.

E reviver plebeu, sem culote, na coletividade,
e a história das histórias, com os dentes, transformar,
sonhando liberdade, sem igualdade ou fraternidade
não ter pernas, braços e, ao rei, decapitar!

Viver das máquinas, e com elas, lutar!
Juntar os pelegos, filhos da velha senhora,
ler o manifesto cor de sangue e se amotinar,
revolucionar o próprio tempo, a cada dia, toda hora.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

ONYX OU AS UNHAS DE VÊNUS


Assim surgiram, 
despropositais.
E no encanto escuro,
destes olhos tais,
vieram-me impressões
que sugeriram:

O brilho e a profundidade, 
que traspassam a margem
na pura expressão da tua verdade,
como sendo amor em imagem...

A busca nas linhas horizontais,
daquilo que intui ou vê
nos atos belos e monumentais
refletindo o que realmente crê.

E na pedagogia deste percurso,
que desdobra-se dentro do teu peito
Recebes  da alma, então, o recurso
para no corpo expressar-se do seu jeito...

Na alegria encontrada em concretude
ou no drama absoluto em abstração,
com os impulsos quentes da atitude,
ou na doce força da tua emoção.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

CISCRET

Degas

Dança sobre mim
ao redor do fogo que sai do meu peito,
toma meu sangue, colhe o efeito,
do encantamento que não tem fim.

domingo, 4 de novembro de 2012

PEQUENINO CÃO

Nunca foste meu, pequenino
Mas andavas sempre comigo
E permitia-me voltar a ser menino
Quando no quintal, eu corria contigo.

Na imensa dor, que um dia eu vivia
E escondido derramava meu pranto
Me olhavas curioso e me entendia,
Lambendo-me a mão me tomando de encanto.

Dos momentos que juntos passamos, então
Me resta lembrar a alegria que me tinhas
E desejar-te o amor em outras linhas
Saudoso e inesquecível cão.

ENQUANTO CHET TOCAVA


Enquanto Chet tocava,
e a vela queimava,
e o cheiro e pitanga em fruta,
você exalava,
no doce balanço
que nos animava,
tu foste astuta,
como eu esperava:
Deste-me tudo de si,
e me alcançava
pois dentro de ti
eu me derramava.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

VENTO-BEIJO DA PAZ


Beija-me
O rosto,
O vento.
Dá-me
O gosto,
O alento.
Da paz
Que assaz
Tanto eu queria.
Que nas idas
E vindas
Não encontraria,
Por desconhecer
Que na busca
De reconhecer
O que se compreendia,
Da alma fechada,
Da garganta calada,
Da palavra engasgada
Que não observava
Que não respirava
E não se acalmava,
E era ansiedade,
Longe da verdade,
Da liberdade
De deixar correr. 

domingo, 30 de setembro de 2012

O TORMENTO DE UM POETA



Perdão se te invadi de forma indiscreta,
Em momento tão sensível  e  de forte emoção.
Mas deixa que me apresente, sem mais enrolação:
Muito prazer, eu sou, dentro de ti, o poeta.

Perdão se diante da minha perda de rumo,
E desesperada sede de expressão,
Eu te deixo ansioso e, enlouquecido, então,
De dentro para fora eu te consumo.

Perdão se descontroladamente eu amo,
E incendeio seu peito com meu desespero,
De entregar-me ao que pode ser amor verdadeiro
Ou a ao melancólico descobrir de outro engano.

Perdão, mas é chegada a hora,
De dormir os sonhos do seu peito,
E retornar a noite, no seu leito,
Para gritar: Levanta-te e escreve, agora!

EU, SEU

Eu,
Seu.
Submetido,
Prostrado,
Invertido!
Você,
Minha.
Subjugada,
Revertida,
Consumida!
Despertar
Meio instinto,
Meio bicho,
Meio louco,
perigoso.
Despontar
Mais pensamentos,
Mais sentimentos,
Mais tormentos,
movimentos.
Tornar seu,
Eu.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

NOSSO BALANÇO OU DOS AMORES DE HOJE



Danço contigo,
Dorme comigo.
Tanto sei de ti,
Pouco sabes de mim.
Melhor assim,
Sem questões
Ou objeções.
Somente as sensações
Por nós e por si.
Aqui,
Ali
Sós e a sós
Por outros, por nós.
Dentro e distantes,
Revivendo instantes...
Em fim.
É assim.

Imagem: Roy DeCarava, “Billie Holiday and Hazel Scott at a party,” 1957

sábado, 25 de agosto de 2012

FRACTAL DA SEDE

A dimensão deste querer, 

é como jogar um homem 

sedento num oásis

e este homem não beber 


d'água:

Mas tornar-se também,

 água.

ANJOS INQUILINOS


Anjos insistem

e são meus inquilinos

e mais do que posso, exigem.

Tem suas quedas, por certo

assistirei de dentro, não de perto,

pois vejo que já se afligem

diante dos meus caninos,

que se quer sei se existem.

AUTONOMATOPEIA




Caminhando pela acinzentada floresta petrificada,
onde perdeu-se o tempo, o espaço, o momento,
descobri no alto d'uma parede desajeitada
as ações e cores d'um movimento,

que ha décadas buscava um novo rumo
entre pessoas, formas e traços
incendiando as ideias e consumo
revitalizando conceitos, objetos e espaços.

E assim traz-me outra peça de humano
e causa-me entusiasmada emoção
enquanto arde lento e  silencioso o cotidiano
pulsando-me a vida nos olhos e coração.




quarta-feira, 1 de agosto de 2012

RUA MAUÁ



A concretude do cinza, do chão ao céu
garoa, sujeira, escombros e medo.
Desfazendo-se, caminham
humanos desumanizados
em trapos, putrefação
e a voraz fome.
Um conto de horror?
Um fragmento do Umbral?
Um pesadelo?
Não. Estou acordado
e caminhando entre os vivos!


sábado, 7 de julho de 2012

NUM SONHO


Estranha que
entre estalos
e som,
minha fúria
beijava...
E nos embalos,
sem dom,
ou lamúria,
imaginava:
Quem você é?
D'onde vem?
Disposta e
proposta,
teus fios douravam
na refração
iluminada,
enquanto meu
pulmão dilatava
na troca
desesperada
de doar,
de sentir,
libertar,
exaurir!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

SER JAZZ


Ser jazz é navegar!
Não é porto, nem cais,
onde muito se espera
e nada se faz.
Seu tudo,
meu pouco,
tiveste
não mais,
neste
verso-quimera,
em que meu
louco
jaz.

PIMENTAS AZUIS


Flash,
lapso,
fluídico
pensamento
rápido
em efeméride.
Pimentas
azuis
adornam
paredes
cinzas
que
desfazem-se
num piscar
de olhos
gelando
a saliva
colorida
ao querer
te
pintar
e
bordar.

domingo, 3 de junho de 2012

SENTIMENTO CORSÁRIO


Hoje não tenho
inspiração.
E a respiração,
desdenho.
na refração
da ilusão
que se desfez
pelo chão.
Insensatez
de momento,
quem sabe, talvez
um tormento.
Tormenta,
lamenta,
cria-se uma ementa:

Eis que sopra meu vento,
é chegada a hora de embarcar.
Deixo meu beijo e meu intento,
d'um outro sonho, recomeçar...


Por ora meu mar é o meu peito,
em que navegam navios solitários,
e a bravura de sentimentos corsários,
que dele também fazem seu leito.


NARCISO'SONG


Das coisas que tanto almejo,
De tudo aquilo que preciso,
Não estão os olhos de Narciso,
Que se contemplam no próprio desejo.

Tão pouco faço um espelho, com a água,
Pois desta, somente a fluidez me interessa,
Ao abraçar minha alma que confessa:
Quem tanto se olha, n'outro causa mágoa.

domingo, 20 de maio de 2012

TE(N)SÃO


Segue teu instinto voraz,
febre da busca que encanta.
Teu caminho próprio faz,
ressoa um íntimo mantra.

Alimente teu coração faminto.
Se a surpresa assusta encare o reflexo.
Estão nos espelhos deste labirinto
imagens além limites e nexo.

Visita convidada é solicitação de permanência.
A residência da loucura está repleta de monólogos.
Dancemos outra valsa nas curvas destas águas.
Brumas alcoólicas! Que as marés nos conduza...

Sim, encoste a cama, deite a porta bem aqui.
Feche os sonhos, abra os olhos rentes ao teto.
Regue as pedras, cave a horta, estanque o sangue
e os ponteiros dos minutos, girando por si...

Por Adriano Tardoque e Eduardo Lazaro

sábado, 19 de maio de 2012

BREVIÁRIO RESPLANDECENTE


Foste coberta pelas asas e calor,
que velaram teu sono,
construíram teu sonho,
maravilhando-te o olhar.
E resplandeceste ao acordar,
decifrou-se teu valor,
cantou-se tua pureza,
dilatou-se tua beleza,
somando-te o amor.

sábado, 12 de maio de 2012

SENEXOS

Foste o melhor dos meus sexos,
e o pior dos meus nexos, 
algoz em eternos complexos.


Foste a melhor das malícias,
das lembranças não propícias,
na engenheira das delícias.


Foste doçura em peito terno,
faminta voraz, do aleitamento paterno,
na cama, da primavera ao inverno.


Foste anjo que me fez céu,
demônio ingênuo que me fez réu,
concupiscente, combalido, condenado ao léu.


És agora, então, uma vida inocente,
vivendo n'outros braços , anseios do presente,
insight infestável da memória indecente.


Imagem: Klimt - Goldfish

quarta-feira, 9 de maio de 2012

ASAS, CANTO, LIBERDADE



Entendo que o amor está nas asas a bater,
no ato de voar.
O pássaro que não voa
Canta e alegra quem o prende,
com a beleza do que entoa.
Mas não é feliz para amar,
A liberdade de se perder.


Fonte da imagem: http://www.flickr.com/photos/artesgiu/373574129/in/photostream

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O SONHO, O BEIJO


O beijo - Klint


Que beijo é este, que em meu sonho, não tem rosto?

Dando-me somente indícios do fio da balança,

Sustentados em constante, voluptosa lembrança

Dos lábios famintos e cheios de gosto!


Que respiração é essa, que em meu sonho, eu sinto?

Sugando-me forças e fantasias, quando aspira,

Soprando-me as ideias como quem delira,

Oferecendo o cio a um cão faminto!


Que mãos são essas, que em meu sonho, me acariciam?

E com a mesma vontade, me arranham e apertam,

Dançando em meu peito e onde mais acertam,

Na delícia insana, que ferozmente, propiciam...







terça-feira, 1 de maio de 2012

O JAZZ DOS CAVALOS LIVRES



O Jazz é capaz de nos tirar da morada dos asnos
e nos levar ao logradouro da formidável loucura!
É Jazz quem é alma em plenitude:
Ouve o sopro, o tambor, o piano, as cordas e,  destes sons,
adoça cavalos selvagens.
E neles, lê a liberdade.

domingo, 1 de abril de 2012

DÚVIDAS MOVENTES


Inspirado pelo insight do poeta Eduardo Lazaro

Para que o infinito,
se nossas asas tem preço?
Para que me limito,
se o destino eu desconheço?
Embaralho pessoas, mágoas, alegrias,
descarto palavras, compondo elegias.
Eis minha dor mais profunda:
não resistir ao vazio que me inunda...
Eis meu maior sonho:
desfrutar do amor a que me proponho...
Eis a ira que me corroe:
executar e reviver meu ser herói...
Eis a marca da minha vingança:
alimentar bactérias da minha esperança.

segunda-feira, 26 de março de 2012

O TODO, A PARTE E A DESCONSTRUÇÃO


Sem os meus personagens, nada sou!
Os meus personagens sem mim, nada são!
Nas abordagens permanentes ou de ocasião,
Ou homenagens pelos caminhos por onde eu vou...

Sigo vivendo da criação dos meus fatos,
concebendo o que pode ser todo ou parte
Redizendo o mestre Gregório de Matos
e escrevendo a mim mesmo como arte.

Ora, então serei eu um ser imagético,
de inúmeras cabeças diversas, falantes,
com discursos improvisados e atuantes,
na construção mitológica d'um ser anti-arquétipo!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

AMIGA

Dividiste comigo
os seus
e os céus,
os meios
e os seios,
o caminho
e o vinho.
Doas-te, então
a nós,
teu juízo:
Para os pecados,
os réus,
Para os amados,
os anseios.
Para os conquistados,
o carinho.
És o que podemos,
o que vivemos,
ou aquilo que
nos tornemos.
Me abriga,
amiga.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

SOLVE ET COAGULA

O que
temos nós,
a mais e melhor,
do que
os animais?
Como tais,
assim quero
ver-te:
pelas costas!
Teu cabelo
em alça
quando minhas mãos,
são armas 
na luta,
de contê-la
na tua ânsia
de virar
a cabeça e
de olhar-me
nos olhos,
ainda que fechados,
concentrados
no impacto,
crescente, 
voluptoso,
alquímico...
Então
solvo-me em ti,
que coagula-nos
em si.
Alquimia feroz,
a sós,
em atos
que atuamos,
atoa,
na toada
dos instintos.

sábado, 7 de janeiro de 2012

HÁLITO DE DRAGÃO

Fonte da Imagem: http://blogdotony.com.br/desenhos-vetoriais-japoneses-imagens-de-vetor/#axzz1inDCU6Bo
Você que,
em fera,
és dragão que vocifera,
o que não sê:
consciência,
paciência,
altruísmo...
E ao contrário,
nas malhas do egoísmo,
estipula
e manipula
com cinismo,
o sentimento
d'um desatento,
que em ti, crê!
Espera...
Nas voltas
e revoltas,
em que segue o mundo,
no meu peito o desejo mais profundo,
está distante no momento...
Mas será justificado no tempo.



Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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