"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

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domingo, 1 de abril de 2012

DÚVIDAS MOVENTES


Inspirado pelo insight do poeta Eduardo Lazaro

Para que o infinito,
se nossas asas tem preço?
Para que me limito,
se o destino eu desconheço?
Embaralho pessoas, mágoas, alegrias,
descarto palavras, compondo elegias.
Eis minha dor mais profunda:
não resistir ao vazio que me inunda...
Eis meu maior sonho:
desfrutar do amor a que me proponho...
Eis a ira que me corroe:
executar e reviver meu ser herói...
Eis a marca da minha vingança:
alimentar bactérias da minha esperança.

Um comentário:

Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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