"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

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sexta-feira, 4 de maio de 2012

O SONHO, O BEIJO


O beijo - Klint


Que beijo é este, que em meu sonho, não tem rosto?

Dando-me somente indícios do fio da balança,

Sustentados em constante, voluptosa lembrança

Dos lábios famintos e cheios de gosto!


Que respiração é essa, que em meu sonho, eu sinto?

Sugando-me forças e fantasias, quando aspira,

Soprando-me as ideias como quem delira,

Oferecendo o cio a um cão faminto!


Que mãos são essas, que em meu sonho, me acariciam?

E com a mesma vontade, me arranham e apertam,

Dançando em meu peito e onde mais acertam,

Na delícia insana, que ferozmente, propiciam...







Um comentário:

Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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