"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

RUA MAUÁ



A concretude do cinza, do chão ao céu
garoa, sujeira, escombros e medo.
Desfazendo-se, caminham
humanos desumanizados
em trapos, putrefação
e a voraz fome.
Um conto de horror?
Um fragmento do Umbral?
Um pesadelo?
Não. Estou acordado
e caminhando entre os vivos!


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Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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