"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

SEBO ARILOQUE

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domingo, 4 de novembro de 2012

PEQUENINO CÃO

Nunca foste meu, pequenino
Mas andavas sempre comigo
E permitia-me voltar a ser menino
Quando no quintal, eu corria contigo.

Na imensa dor, que um dia eu vivia
E escondido derramava meu pranto
Me olhavas curioso e me entendia,
Lambendo-me a mão me tomando de encanto.

Dos momentos que juntos passamos, então
Me resta lembrar a alegria que me tinhas
E desejar-te o amor em outras linhas
Saudoso e inesquecível cão.

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Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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