"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

SEBO ARILOQUE

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domingo, 20 de maio de 2012

TE(N)SÃO


Segue teu instinto voraz,
febre da busca que encanta.
Teu caminho próprio faz,
ressoa um íntimo mantra.

Alimente teu coração faminto.
Se a surpresa assusta encare o reflexo.
Estão nos espelhos deste labirinto
imagens além limites e nexo.

Visita convidada é solicitação de permanência.
A residência da loucura está repleta de monólogos.
Dancemos outra valsa nas curvas destas águas.
Brumas alcoólicas! Que as marés nos conduza...

Sim, encoste a cama, deite a porta bem aqui.
Feche os sonhos, abra os olhos rentes ao teto.
Regue as pedras, cave a horta, estanque o sangue
e os ponteiros dos minutos, girando por si...

Por Adriano Tardoque e Eduardo Lazaro

sábado, 19 de maio de 2012

BREVIÁRIO RESPLANDECENTE


Foste coberta pelas asas e calor,
que velaram teu sono,
construíram teu sonho,
maravilhando-te o olhar.
E resplandeceste ao acordar,
decifrou-se teu valor,
cantou-se tua pureza,
dilatou-se tua beleza,
somando-te o amor.

sábado, 12 de maio de 2012

SENEXOS

Foste o melhor dos meus sexos,
e o pior dos meus nexos, 
algoz em eternos complexos.


Foste a melhor das malícias,
das lembranças não propícias,
na engenheira das delícias.


Foste doçura em peito terno,
faminta voraz, do aleitamento paterno,
na cama, da primavera ao inverno.


Foste anjo que me fez céu,
demônio ingênuo que me fez réu,
concupiscente, combalido, condenado ao léu.


És agora, então, uma vida inocente,
vivendo n'outros braços , anseios do presente,
insight infestável da memória indecente.


Imagem: Klimt - Goldfish

quarta-feira, 9 de maio de 2012

ASAS, CANTO, LIBERDADE



Entendo que o amor está nas asas a bater,
no ato de voar.
O pássaro que não voa
Canta e alegra quem o prende,
com a beleza do que entoa.
Mas não é feliz para amar,
A liberdade de se perder.


Fonte da imagem: http://www.flickr.com/photos/artesgiu/373574129/in/photostream

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O SONHO, O BEIJO


O beijo - Klint


Que beijo é este, que em meu sonho, não tem rosto?

Dando-me somente indícios do fio da balança,

Sustentados em constante, voluptosa lembrança

Dos lábios famintos e cheios de gosto!


Que respiração é essa, que em meu sonho, eu sinto?

Sugando-me forças e fantasias, quando aspira,

Soprando-me as ideias como quem delira,

Oferecendo o cio a um cão faminto!


Que mãos são essas, que em meu sonho, me acariciam?

E com a mesma vontade, me arranham e apertam,

Dançando em meu peito e onde mais acertam,

Na delícia insana, que ferozmente, propiciam...







terça-feira, 1 de maio de 2012

O JAZZ DOS CAVALOS LIVRES



O Jazz é capaz de nos tirar da morada dos asnos
e nos levar ao logradouro da formidável loucura!
É Jazz quem é alma em plenitude:
Ouve o sopro, o tambor, o piano, as cordas e,  destes sons,
adoça cavalos selvagens.
E neles, lê a liberdade.
Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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