"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

SEBO ARILOQUE

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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

AUTOCIVILIZAÇÃO


Amamenta-me a loba, postada sobre mim,
junto do meu gêmeo que em breve matarei,
para fundar a minha autocivilização e assim,
parir o impulso arquetípico, que no peito eu gestei.

E pulsando juventude, da livre libertinagem,
a flauta de Pã para as ninfas, vou tocar
e nos olhos da Medusa, contemplarei a imagem,
do Teseu  sem tesão a se petrificar.

E reviver plebeu, sem culote, na coletividade,
e a história das histórias, com os dentes, transformar,
sonhando liberdade, sem igualdade ou fraternidade
não ter pernas, braços e, ao rei, decapitar!

Viver das máquinas, e com elas, lutar!
Juntar os pelegos, filhos da velha senhora,
ler o manifesto cor de sangue e se amotinar,
revolucionar o próprio tempo, a cada dia, toda hora.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

ONYX OU AS UNHAS DE VÊNUS


Assim surgiram, 
despropositais.
E no encanto escuro,
destes olhos tais,
vieram-me impressões
que sugeriram:

O brilho e a profundidade, 
que traspassam a margem
na pura expressão da tua verdade,
como sendo amor em imagem...

A busca nas linhas horizontais,
daquilo que intui ou vê
nos atos belos e monumentais
refletindo o que realmente crê.

E na pedagogia deste percurso,
que desdobra-se dentro do teu peito
Recebes  da alma, então, o recurso
para no corpo expressar-se do seu jeito...

Na alegria encontrada em concretude
ou no drama absoluto em abstração,
com os impulsos quentes da atitude,
ou na doce força da tua emoção.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

CISCRET

Degas

Dança sobre mim
ao redor do fogo que sai do meu peito,
toma meu sangue, colhe o efeito,
do encantamento que não tem fim.

domingo, 4 de novembro de 2012

PEQUENINO CÃO

Nunca foste meu, pequenino
Mas andavas sempre comigo
E permitia-me voltar a ser menino
Quando no quintal, eu corria contigo.

Na imensa dor, que um dia eu vivia
E escondido derramava meu pranto
Me olhavas curioso e me entendia,
Lambendo-me a mão me tomando de encanto.

Dos momentos que juntos passamos, então
Me resta lembrar a alegria que me tinhas
E desejar-te o amor em outras linhas
Saudoso e inesquecível cão.

ENQUANTO CHET TOCAVA


Enquanto Chet tocava,
e a vela queimava,
e o cheiro e pitanga em fruta,
você exalava,
no doce balanço
que nos animava,
tu foste astuta,
como eu esperava:
Deste-me tudo de si,
e me alcançava
pois dentro de ti
eu me derramava.
Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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