"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

SEBO ARILOQUE

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

ADRIANA


Um dar-se 
desmedido
Incompreendido
Que não diz
Quem se é.
Confusões regadas
De risadas
Destoadas
Por algo qualquer.
Explosões sensuais
Ininterruptas
Abruptas
Casuais
Memoriais!
Anasalada fala
Manhosa
Caudalosa
Que respira e cala.
Amor em feixes
Feitos
E desfeitos
Espalhados
Espantados
Como peixes
No mar que se tem.
Ser tudo
E ser nada
Que nada
E é o que vem:
Sonhar
Esperar 
Ousar,
Quem sabe,
Alguém.
Como deseja
Que assim seja
Além, 
Amém.



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Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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