"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

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quarta-feira, 20 de março de 2013

EU OUTONO


Eu,
de outubro,
sou um dos deuses
no outono.
Eu,
filho da terra,
da era
da quimera.
Eu,
o juiz
e o condenado
amante
amável
amado.
Príncipe
dos feixes
de luz,
da coroa
em Sol
que me abençoa.
Eu,
o guerreiro
do vento
frio que
em lâmina cortante
que vai adiante
derrubando
algozes
nomeando
mártires.
Eu,
outrora
apenas eu.

Imagem: Vincent Van Gogh, "Mulberry Tree", 1889. Oil on canvas

Um comentário:

  1. Guardo-o, cubro-o de silêncio e de ausência.
    As estações passam, mas continuo sendo eu... sempre igual a mim mesma.

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Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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