"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

SEBO ARILOQUE

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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

DELICADO E AMÁVEL


Estranho, rude, ignorante,
despojado, crú, intolerante
grosseiro, áspero, indolente,
seco, intratável, maledicente.

Complicado, amargo, raivoso,
rígido, atroz, doloroso,
ruim, desumano, inescrupuloso,
feroz, horrível, impiedoso.


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

MON CRUAUTÉ


Ter alguém
Ou estar sem ninguém
Sempre se faz insuficiente
Cada vez que insipiente,
Outra verdade advém.

Coisas preferidas
Revertidas em rotina
Um bom sentimento que se imagina e
Esmiuçado em dor, determina:
Livre e só, estou... reanima!

Imagem: "O terapêuta" (1941), de René Magritte

domingo, 22 de dezembro de 2013

GrATO


Ronronar
para me
honrar:
a gratidão, 
de fato,
transparece
no gato.

Imagem: Gatoá Picasseado, Adriano Tardoque - Abril/2013

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

TEMPO ESCULTOR DE FACES

Tempo

Dá-me as rugas

E leva as rusgas

com o vento.

(28/11/2013)

A QUEDA DO AMULETO


Eram linhas de um amuleto de proteção
e símbolo de um sentimento em verdade
jamais a marca de qualquer crueldade
tão menos o desejo de desilusão.

A raiva que brota sem tanto pra ser
a boca que insiste tanto em falar
diante do outro proposto a calar
esperando por um novo amanhecer.

As lágrimas desceram e a dor venceu
abraçada com toda a insensibilidade,
confusão, loucura, instabilidade
e o que se dizia amor, padeceu.

MEMÓRIA DAS NUVENS


Estrada infinita
No carro a criança se agita
As nuvens e seus
contornos desenhados
o biscoito de polvilho
e o estilingue
relembrados.
O presente
não se distingue
do passado.

(15/12/2013)

O VERBO E A POETISA



E o verbo
se fez mulher
inquieta
que no ofício
amado
compõe
e interpreta...
Nos palcos
da vida
se realiza
e nas noites
insones
é poetisa.

(17/04/2013)

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A SOMA DAS IMPERFEIÇÕES CRIADORAS


Somos forjados
parte por parte
como obra de arte
de olhares somados:

hora com melancolia,
hora com alegria,
hora com amor intenso,
hora com medo imenso,
hora com desespero,
hora com destempero,
hora com tédio,
hora com remédio,
hora com ternura,
hora com loucura,
hora com vingança,
hora com esperança,
hora com calma,
sempre com alma.

Imagem: "Je souffre d'une effroyable maladie de l'esprit" (Antonin Artaud)

sábado, 7 de dezembro de 2013

UM BRINDE


Quebrem-se todas as taças,
escorram e acabem os licores,
dissolvendo as líquidas desgraças,
extinguindo-se dos fatos aos rumores:

Sou composto
do que me encanta
do que me afoga
do que me espanca
do que dialoga
do que me engana
do que me interroga
do que adquiri,
do que não tive,
do que não vivi,
do que não vive,
do que resisti,
do que é insalubre
do que tem gosto
do que proposto
me faz livre!

Imagem: Fragmento "The Garden of Earthly Deilights, de H. Bosch

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

INDÓCIL

Imagem do filme "The Weresler": http://www.imdb.com/title/tt1125849/

Difícil
matar o cotidiano
em mim.
Indócil é,
chorando,
cantar assim:
perdido
por um amor
que definha,
vencido
por uma dor
que não é minha.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

OS SOPROS DO SER DE BOSCH


Como ler ao outro,
folheando a um espelho?

E negar a alguém,
sofrer o próprio desvelo?

Viver o resultado de uma euforia,
contrariar o que se dizia?

Na loucura creditar ao outro a parte boa,
ainda que fugindo atoa?

Em egoismo não querer perder,
nas ações negar em ter?

Nos impulsos de dar-se bem e mal,
sentenciar, aos demais e por si ao final?

É cortar a árvore deixar a semente,
sem uma gota d'água para que se alimente?

Desculpar-se pela própria intensidade,
para esquivar-se de qualquer outra verdade?

O momento da felicidade alheia preservar,
sem endereço sem amor, sem caminho para andar?

Hieronymus Bosch, Hell (detail) 1500 - Palazzo Ducale, Venice, Italy. Painting, Oil on panel

domingo, 1 de dezembro de 2013

MEMÓRIA DE MAIO

Paris, 17 de maio de 2013.


TUDO QUE FOSSE SILENCIADO


Tudo que fosse preciso
para um sorriso:
Brincar como quem ama
fazer de picadeiro a cama.
Conversar sem hiatos
inventar a língua dos gatos.
Imaginar-se em parques temáticos
nos momentos problemáticos.
Criar nomes ao acaso
reinventando o próprio caso.
Mas a construção simples do cotidiano,
tornou-se abstração, meridiano.
A saudade e a alegria,
tornaram-se dúvida, melancolia.
Começou noutra distância
acabou-se em que circunstância?
Coração despedaçado,
descompensado,
silenciado.

DA SEIVA OU DO SANGUE

Imagem: Rodrigo Teófilo
Descuido
Cuidadoso
Corte furioso
Do fio
Do Machado
Abrindo
A fenda
ou
A chaga
Na madeira
No maduro
No futuro
No peito.
Contenda
Com efeito
Febril
Infectado
Pelo tempo
Pelo momento
Pelo desentendimento.
Rachado
Por dentro.


Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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