"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

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domingo, 3 de julho de 2016

DOR



A dor pode ser
A batida de um martelo
Pode ser
Um outro comprimido amarelo.
A dor pode ser
Um corte no dedo
Pode ser
Um inesperado medo.
A dor pode ser
Ouvir em mono
Pode ser
Um dia a mais sem sono.
A dor pode ser
A fome
Pode ser
não ter nome.
A dor pode ser
Não ter sorte
Pode ser
A causa morte.
A dor pode ser
Não ter amor.
Pode ser
Perder o sabor.
A dor pode ser
Dor.
Pode ser
Um elo
Martelando
Comprimindo
Cortando. A dor só não é Abandono. De quem dela sofre e
Está agonizando.

Imagem: Saturno devorando um dos seus filhos, de Goya.

Um comentário:

  1. Eu gostaria de ver toda a dor do mundo em um museu, porque ninguém sabe o que é felicidade sem antes conhecer a tristeza, e vice versa. Tristeza é necessária, mas ninguém gosta de ficar triste, ainda mais porque a tristeza normalmente vem sem hora marcada, inconveniente, carregada de dor. Se gostássemos de tristeza, afinal, ficaríamos felizes com ela.

    Se ela estivesse apenas em um museu, exposta em todas as suas formas, cores e odores, poderíamos visitá-la e sentí-la na hora em que bem entendêssemos e assim conhecê-la ou lembrá-la. Quando a felicidade já começasse a perder o seu significado, bastaria entrar no museu para sentir a tristeza e perceber como é bom ser feliz.

    E em cada corredor, carregado de mágoa e de dor, lembraríamos de tudo o que nos causa doenças e cânceres, as lágrimas nos escorreriam pelo rosto, o peito ficaria apertado e, ao sairmos de lá de dentro, tudo ficaria para trás, e sentiríamos o alívio e a renovação de uma vida repleta de novas alegrias. E neste museu haveria a sala do que jamais poderia ser vivido ou sentido outra vez, apenas para nos lembrar do que não pode acontecer novamente. Nela estaria toda a pobreza e miséria humana, física e de espírito, todo o ódio desmedido, fossilizados para todo o sempre.

    Um belo museu, para todo tipo de dor, de tristeza, de angústia e de sofrimento. Meu museu, seu museu, nosso museu. O museu de todos nós. E como ele não ainda existe, não sejamos então milhões de museus, acumulando tristeza e sofrimento. Que não cristalizemos a tristeza, que não fossilizemos dentro de nós a miséria humana, tampouco o ódio. Que a tristeza, necessária, possa sempre ser transmutada em mim, nos meus, e em toda alma sofredora. Que cada sofrimento vá para fora de nós, para dentro do nosso futuro Museu da Tristeza.

    http://unserewelten.blogspot.com.br/2015/10/museu-da-tristeza.html?m=1

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Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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