"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

SEBO ARILOQUE

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terça-feira, 12 de julho de 2016

SUAS ILUMINURAS


Ao amigo Marlon.

No globo ocular e seus anexos
Você juntou cores e padrões desconexos
E na fúria de elevar a poesia como arte
Voou para tão longe, deixando-se só em parte.

As palavras de Rimbaud, você chamou de pinturas
Aplaudindo-as como a um concerto as suas Iluminuras
Para depois, garimpar na filosofia
Uma tese monumental que lhe afirmaria:

Das artes, é suprema a poesia
Declamada, cantada, encenada,
filmada, pintada ou plastificada.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

UM DIA DE CHACAL


Longe do bicho
Dentro do ser humano
Rodando poemas
Entre a manivela,
A tinta e o álcool.
Ávido pelo agora
Em nuvem ou fumaça,
Divagando
Ao som do mar.
Cigano por escolha
Louco sem engano
Égide do desencano.
Dá quase destruição
A intuição
Um anti-mito
Favorito.

Imagem: o poeta Chacal

quinta-feira, 7 de julho de 2016

MIRANDO MiRÓ


Estava lá velho pintando
Manchas e linhas paralelas
Enquanto em êxtase delirava
E o pincel dançava sob as telas.


Equilibrando as forças do universo
Sol, Lua, estrelas e astros quaisquer
Nas paixões e cores ele buscava
Pássaros em forma de mulher.


Os mágicos desejos
Colhem a arte no ar Que semeia a viagem
Soprando cores no olhar.

Imagem: Mulher, pássaro, e estrelas, de Joan Miró (1966)

terça-feira, 5 de julho de 2016

IN DESTINO


Viver

Quando a forma

toma o  vazio.

Morrer

Quando o vazio

toma a forma.

GERAIS


Ei de compor canções
Como a turma das Gerais


Sair cantando as estradas
Acostumadas
A ser entoadas
Nas caminhadas


Ser todo e ser tudo
Sem segredo e sem medo.


Da voz ressoar por inteiro
De um natural coração brasileiro e
Cosmopolitana alma de mineiro.

PLEBEU


Decreto tudo que é livre

que é concreto
que eu louve!


Que d'alguma forma vive
que em alma é discreto e
que a si mesmo ouve.


Meu coração é abrigo
Minha mente é comigo
Cantando eu digo:


Não sou
Não sei
Não sou rei
Não serei.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

VOCÊ PAIRA


Pernas moles
Sem tomar goles
De coisa alguma.


Puro gaguejar
e não pestanejar
Com olhar vidrado.


Como não sentir
Como não despir
A própria vontade?


Queima
O meu
Coração
Na pira
E teima
Sempre
Quando
Você paira.

Imagem: Yona Magalhães, em cena do filme "Deus e o diabo na terra do sol" (1964)

RESTOS DE DESCUIDOS



Para Estamira.


Eterno, o infinito e o além

Sei distinguir a perturbação

Ter menos é menosprezar mais.

Agora os deuses são cientistas

Mãe é o formato par

Impar é o formato pai

Registrador de pensamento é

Além dos além, é um transbordo.

NA DOBRA DO VENTO



Ser em si
É estar por quem?
Ser por si
É estar além.


Ser cigano, como as nuvens lá de cima
Trovadores, como os mineiros da esquina
Ou quem sabe, poetas de mimeógrafo sem rima.


Bater asas com os olhos do horizonte
Do  Corcovado, contemplar o sol que se esconde
Até que na outra manhã, o reencontre.


Ser exímio domador do cavalo-tempo
Conectando com fumaça, sensação e momento
E estar sempre na dobra do vento.

MARIA




Ave pode ser pássaro
Ave pode ser Maria
Maria pode ser pássaro
Maria pode ser Maria.

Maria pode ser graça.
Maria pode ser santa.
Santa pode ser ave.
Santa pode ser santa.

Santa ave, canta Maria
Canta para ser pássaro
Passa com graça para mais um dia.
Ser Maria, outra vez, Maria.


domingo, 3 de julho de 2016

FRANCISCO

Foste sofrimento, na neblina da guerra
E caíste moribundo pelas dores da moléstia
Até que um pássaro acordou-te do sono profundo
Abrindo sua alma para uma nova era.

Despiste das vestes e da sua descendência
Vestiste da humildade e do amor sem modéstia
E a caminhar se colocou em busca de um mundo
Onde o amor ao próximo, fosse a derradeira experiência.

És na história do amor um verdadeiro risco
Sublinhando a vida, a paz e a humanidade
És a luz maior, por todos, chamada Francisco
De Assis, daqui e de toda eternidade.

DOR



A dor pode ser
A batida de um martelo
Pode ser
Um outro comprimido amarelo.
A dor pode ser
Um corte no dedo
Pode ser
Um inesperado medo.
A dor pode ser
Ouvir em mono
Pode ser
Um dia a mais sem sono.
A dor pode ser
A fome
Pode ser
não ter nome.
A dor pode ser
Não ter sorte
Pode ser
A causa morte.
A dor pode ser
Não ter amor.
Pode ser
Perder o sabor.
A dor pode ser
Dor.
Pode ser
Um elo
Martelando
Comprimindo
Cortando. A dor só não é Abandono. De quem dela sofre e
Está agonizando.

Imagem: Saturno devorando um dos seus filhos, de Goya.

AMAR POR RITA


Resta saber o que não está certo
Ir encontrar o que então pode ser
Tenho vontade, mas no tempo me aperto
Aí de você, se não me entender!


Prometa tirar do meu caminho
Todas as pedras e os galhos quebrados
Que prometo limpar seu corte do espinho
Enquanto afago o seu manto sagrado.


E quem me explica
A sutileza desta vaidade
A doce face da mulher que replica  e
Desperta em mim, crer que é verdade.

Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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