"Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos, Eles lá terão sua beleza, se forem belos." (FERNANDO PESSOA)

SEBO ARILOQUE

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

EU GENÉRICO


Era etéreo.
Como balão no dia seguinte
murchado e
pela criança
abandonado,
me esvaziei de mim,
do juízo.
Impossibilitado,
na condição
de ouvinte,
fui remediado:

clonazepam,
oxalato de escitalopram,
cloridrato de bupropiona.
Telmisartana e hidroclorotiazida,
cloridrato de felinefrina, 
maleato de clorfeniramina...

Eis
os membros novos
do corpo
do eu minúsculo
estéreo,
genérico. 
Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
E sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam.

Hilda Hilst

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